EUA vão enviar drones militares da África para operações na América do Sul

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Por UOL

Imagem de drone militar MQ-9 Reaper do Exército dos Estados Unidos. — Foto: Jam Sta Rosa/AFP
Imagem de drone militar MQ-9 Reaper do Exército dos Estados Unidos. — Foto: Jam Sta Rosa/AFP

As Forças Armadas dos EUA planejam transferir drones MQ-9 Reaper que hoje operam sobre a África para o comando militar responsável por missões na América do Sul. As informações foram publicadas pela CNN.

O que aconteceu

Governo dos EUA deve levar aeronaves do Comando da África para o Comando Sul, que cobre a América do Sul e parte do Caribe. Seis fontes ouvidas pela CNN disseram que a mudança faz parte de um pacote maior de meios militares reposicionados para a região, em meio a planos de ampliar ações contra narcotráfico e grupos classificados como terroristas.

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Número de drones ainda não foi detalhado, mas uma das fontes afirmou que seria a maior parte dos MQ-9. As aeronaves são usadas para vigilância e coleta de inteligência e também podem realizar ataques de precisão, segundo a reportagem.

Fontes indicaram que o reposicionamento ocorre antes de operações previstas na região, com possibilidade de ações no Equador. De acordo com a CNN, o país começou neste ano operações militares com os EUA contra “organizações terroristas designadas”.

Parte do debate interno inclui a possibilidade de enviar alguns drones ao Oriente Médio, em vez da América do Sul. Uma das fontes disse que a discussão ocorre porque os EUA perderam ativos na guerra contra o Irã, incluindo MQ-9.

Pentágono não comentou o planejamento, segundo a CNN. A reportagem afirma que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, colocou a defesa do território americano e do hemisfério ocidental como prioridade número um na Estratégia Nacional de Defesa divulgada em janeiro.

Pressão por mais ações e parcerias na região

Nos últimos meses, os EUA têm destacado acordos e operações conjuntas com países da América Latina e do Caribe. Em agosto, em uma conferência no Panamá, Hegseth elogiou Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia por parcerias e convites para ações conjuntas contra “narco-terroristas”.

Hegseth citou a Colômbia como exemplo de cooperação para operações em terra. “A Colômbia já pediu que o Departamento de Guerra se junte à Colômbia na sua luta contra o narco-terrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas”, disse o secretário de Defesa.

O secretário de Estado, Marco Rubio, também tem defendido coordenação com governos locais como base das ações. “Quando você está conduzindo uma operação conjunta em águas territoriais, precisa chegar a um entendimento sobre como essas operações vão ocorrer. E cada um desses países tem suas próprias leis, seus próprios sistemas com os quais precisam cumprir. Alguns podem ser mais agressivos do que outros”, afirmou.

África segue com alerta sobre terrorismo

A retirada de parte dos MQ-9 de territórios africanos ocorre apesar de alertas sobre a atividade de grupos extremistas no continente. Segundo a CNN, líderes militares dos EUA têm dito que organizações como Estado Islâmico e al-Shabaab continuam a se fortalecer à medida que a presença americana diminuiu nos últimos anos.

Fontes disseram à emissora que ataques e operações conjuntas contra esses grupos devem continuar, mas apontaram riscos operacionais. Parte dos entrevistados avaliou que a perda de ativos como os MQ-9 pode dificultar as missões em andamento na África.

Histórico recente de operações e críticas

Em 2025, os EUA já tinham deslocado para o Caribe uma combinação de drones MQ-9, caças F-35 e ao menos uma aeronave AC-130. A movimentação fez parte de uma campanha voltada a embarcações suspeitas de tráfico de drogas.

O Departamento de Defesa vem realizando há meses ataques contra supostos traficantes no Caribe e no Pacífico oriental, que teriam deixado ao menos 230 mortos. Especialistas e autoridades afirmam que não está claro se os ataques tiveram impacto duradouro no comércio de drogas na região.

Mais recentemente, os EUA passaram a interceptar barcos, retirar as tripulações e transferi-las a países parceiros antes de afundar as embarcações. A CNN relata que, ainda assim, os EUA não abandonaram ataques a barcos tripulados e que três tripulantes foram mortos em um ataque no Caribe em 9 de setembro, segundo militares americanos.

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