Fifa não está vendendo a Copa, diz idealizador do plano comercial de US$ 20 bilhões

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Um dos principais arquitetos do controverso plano da Fifa para criar uma empresa comercial avaliada em US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) reagiu às críticas e afirmou que a proposta não equivale a vender a Copa do Mundo nem se assemelha muito à tentativa fracassada de lançar uma Superliga Europeia dissidente.

Homem de camiseta azul, shorts bege e óculos escuros carrega bolsa azul enquanto sai de prédio ao lado de mulher de blusa preta e calça jeans. Segurança com colete azul e crachá segura porta de vidro aberta para eles.
Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media e assessor comercial do projeto da Fifa; ele nega que projeto seja equivalente à criação da Superliga na Europa – Kevin Dietsch – 8.jul.25/Getty Images via AFP

Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media e assessor comercial do projeto, disse que a proposta de levantar bilhões de dólares com investidores externos está “muito distante da Superliga”, embora ambas as iniciativas tenham provocado indignação generalizada.

Maffei caracterizou a Superliga —proposta apresentada em 2021 para criar uma liga fechada de clubes europeus, que rapidamente desmoronou sob o peso da oposição internacional— como uma tentativa de consolidar a posição de um grupo seleto de clubes.

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“Isso é o oposto”, disse Maffei ao Financial Times em entrevista. “Isso significa dizer que as 211 associações filiadas à Fifa podem decidir o que querem fazer.”

Maffei acrescentou que “isso não é vender a Copa do Mundo” e disse que as propostas fariam com que a Fifa mantivesse “o controle majoritário para sempre”.

A entidade que comanda o futebol mundial planeja vender uma participação de 20% em uma empresa recém-criada que abrigará os direitos comerciais e de mídia da organização, incluindo os da lucrativa Copa do Mundo masculina.

A Fifa deu aos filiados até 19 de setembro para decidir se apoiam as propostas, reveladas inicialmente pelo FT. A entidade afirmou que o plano fará com que cada associação —da Inglaterra a Montserrat— receba um pagamento antecipado de US$ 20 milhões e mais milhões de dólares em recursos adicionais nos próximos quatro anos.

A iniciativa foi apresentada depois de uma Copa do Mundo em que a Fifa recebeu fortes críticas por elevar de forma acentuada os preços dos ingressos e ficar com uma parcela das vendas no mercado secundário. A organização sem fins lucrativos deve gerar ao menos US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões) em receita no atual ciclo de quatro anos, ante US$ 7,6 bilhões (R$ 38,6 bilhões) no período anterior.

As propostas da Fifa para levantar capital provocaram repúdio de políticos, grupos de torcedores e da Uefa, entidade que comanda o futebol europeu e convocou uma reunião de emergência com as associações filiadas para discutir como responder.

Maffei ressaltou que a nova empresa comercial da Fifa, chamada Fifa Forward Enterprise, terá uma equipe de gestão separada. Outra pessoa familiarizada com a estrutura de governança proposta para a nova empresa afirmou que o presidente da Fifa, cargo atualmente ocupado por Gianni Infantino, presidirá o conselho de administração.

Maffei liderou a aquisição da Fórmula 1 pela Liberty Media e teve papel decisivo na recuperação e na expansão da categoria nos Estados Unidos. Ele foi nomeado pela Fifa em parte por causa da experiência na F1, que administra os direitos comerciais do esporte enquanto é regulada por uma entidade externa.

Segundo Maffei, a iniciativa da Fifa está de acordo com uma tendência entre federações esportivas —incluindo o PGA Tour, do golfe— de separar as atividades comerciais em empresas próprias. A Uefa mantém uma joint venture com clubes europeus, chamada UC3, para administrar direitos comerciais, embora não tenha atraído investidores externos.

“Há uma tendência desse tipo em todo o mundo dos esportes”, disse Maffei. “É algo que todo tipo de organização já fez.”

Pessoas próximas à Uefa afirmam que a UC3 não está aberta a investimentos.

Embora a nova empresa da Fifa possa pagar dividendos e captar financiamento por meio de dívida, o que levanta a possibilidade de a entidade ficar subordinada a um número crescente de investidores, Maffei disse que não há planos para isso.

“Ninguém está falando em tentar alavancar o futebol ou algo parecido. Esse certamente não é o plano”, afirmou. Segundo ele, os investidores e o próprio futebol se beneficiarão do crescimento do esporte resultante da iniciativa.

A Thrive Eternal, veículo de investimento administrado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump, está posicionada para liderar o grupo de investidores.

A relação de Infantino com Trump —que recebeu no ano passado o primeiro prêmio da paz concedido pela Fifa— tem sido alvo de intenso escrutínio.

“Não posso falar sobre todas as interações entre dois irmãos, mas Jared realmente não esteve envolvido neste negócio”, disse Maffei.

por Financial Times

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