Gilmar procura Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF em embate entre Moraes e Mendonça

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por Folhapress

Ministro do Supremo Tribunal Federal sentado em cadeira de couro marrom, vestindo toga preta e óculos, com expressão pensativa e mão no queixo.
O ministro Gilmar Mendes em sessão de posse do ministro Edson Fachin como presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) – Pedro Ladeira -29.set.25/Folhapress

Decano do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Gilmar Mendes procurou o presidente Lula (PT), na manhã de terça-feira (1º), com intuito de alertá-lo para o que, em conversas, tem chamado de falta de apoio à cúpula da Polícia Federal por parte das instituições de governo.

A conversa se deu em meio a uma queda de braço entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, do STF, sobre a condução das investigações do Banco Master. O caso ganhou novos contornos após Mendonça determinar a elaboração pela PF de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

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Na mesma data, o petista também recebeu o presidente do Supremo, Edson Fachin, conversa na qual o consultou sobre a crise instalada entre os ministros da corte.

Na conversa com Lula, Gilmar afirmou que, se um ministro do Supremo está fazendo uma intervenção indevida no trabalho da PF, esse não é só um problema do tribunal, mas do governo. O ministro teria procurado Lula após um café com a participação de ministros do STF e Andrei, ainda segundo relatos.

Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) nos atritos entre a corporação e Mendonça. O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.

Segundo relatos, na conversa com Lula, Gilmar afirmou que existe uma disfuncionalidade nas relações entre PF e a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça, chefiados pelos ministros Jorge Messias e Wellington César Lima e Silva, respectivamente.

A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos dos quais ele era relator.

A AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária a esse tipo de demanda.

Até agora, Lula tem apoiado a AGU, prevalecendo o argumento de que o governo não poderia ser arrastado para uma crise que não é sua. Além disso, essa seria uma atribuição do Ministério Público. Por isso, o presidente poderia ser acusado de tentativa de interferência em outro poder.

Messias já tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro Wellington Lima e Silva. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não esteve no encontro.

Na noite de segunda-feira (31), o ministro da Justiça voltou a se reunir com Mendonça, também sem a presença de Andrei. Procurado, Gilmar não quis se manifestar.

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