Giorgia Meloni diz que Itália proibirá véus em escolas e limitará número de alunos estrangeiros
por Reuters

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou neste domingo (20) que o país proibirá o uso de véus islâmicos nas escolas e limitará o número de estudantes estrangeiros por turma. A declaração ocorreu durante o encontro anual de jovens organizado por seu partido, o Irmãos da Itália.
“Em breve, será apresentada em uma reunião do Conselho de Ministros uma medida para estabelecer legalmente um número máximo de alunos estrangeiros por turma. Ela também exige que os pais de alunos estrangeiros que enfrentem sérias dificuldades de integração ao sistema escolar aprendam italiano e proíbe burcas e niqabs nas escolas”, disse.
“Se houver apenas uma criança em uma turma que não entende italiano, ela provavelmente conseguirá aprender o idioma e se integrar rapidamente com a ajuda dos colegas e dos professores. No entanto, se o número de crianças que não entendem o idioma se tornar grande —ou até mesmo majoritário—, isso deixa de ser integração e passa a ser negligência”, acrescentou.
Meloni não especificou qual seria o número máximo de estudantes estrangeiros por turma. Alunos que não são cidadãos italianos representam 11,6% dos matriculados nas escolas do país —quase 12 em cada 100 estudantes, segundo ao instituto de pesquisa Fondazione Ismu.
“É preciso ir à escola com o rosto descoberto e, na Itália, ninguém, em nome de uma tradição real ou suposta, pode decidir que uma jovem deve se esconder”, afirmou a primeira-ministra.
A Itália é um dos países europeus mais expostos à chegada de imigrantes devido à localização no mar Mediterrâneo central, rota que conecta a Europa à África e cujos caminhos são os mais letais. Em dez dias, de 28 de março a 6 de abril deste ano, 181 pessoas morreram ou desapareceram em cinco naufrágios distintos na região, segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações).
A recepção de quem chega ao país, sobretudo das pessoas de nações de maioria muçulmana, é motivo de discussão na política e na sociedade italianas. Os debates sobre símbolos religiosos, integração cultural, regras de cidadania e política migratória frequentemente polarizam a opinião pública.
Roma protagoniza uma crise migratória na Europa. Alemanha, Suíça, Áustria, Finlândia, Suécia e Holanda afirmam que mandarão de volta à Itália imigrantes que entraram de modo irregular pelas fronteiras do país, mas que viajaram a outras nações da União Europeia e apresentaram um pedido de asilo.
Pelas regras do bloco, conhecidas como sistema de Dublin, cabe à Itália analisar esses casos, o que permite que o imigrante seja enviado de volta ao território italiano.


