Justiça autoriza uso de força policial para recuperar cão de Letícia Sabatella

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por Folhapress

Uma mulher sentada no chão, encostada em uma parede, está abraçando um cachorro pequeno e branco. Ela usa uma camiseta vermelha e parece estar sorrindo enquanto beija o animal. Ao fundo, há outro cachorro pequeno, também branco, que está próximo a ela.
Letícia Sabatella diz que seus cães foram doados sem consentimento – Instagram

A Justiça do Rio de Janeiro determinou a busca e apreensão de um cão reclamado pela atriz Letícia Sabatella. O cachorro, chamado Bertholdo, havia sido, de acordo com a decisão judicial, colocado para a adoção indevidamente por uma clínica veterinária.

A sentença da juíza Lorena Dutra estabeleceu que, caso o animal não seja devolvido voluntariamente pela nova tutora em até dez dias, o oficial de Justiça poderá requisitar o uso de força policial para assegurar o cumprimento da decisão.

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Sabatella, 55, disse no processo judicial que o cão havia sido resgatado em 2021 de uma ninhada de animais abandonados. No início de 2025, em razão do tratamento médico do seu namorado, o ator Daniel Dantas, de 72 anos, a atriz afirmou que precisou deixar o cão, e o seu irmão, de nome Bebê, temporariamente em uma clínica veterinária.

A clínica, no entanto, colocou os animais para adoção por meio da ONG Cãorrijo sem que ela soubesse. Bertholdo foi acolhido pela empresária Juliana Bittencourt. Já Bebê foi adotado por uma terceira pessoa.

Ao saber disso, a atriz procurou os novos tutores, mas os animais não foram devolvidos

“A partir deste momento, eles deixaram de ser mero ‘adotante de boa fé’ para se tornarem coniventes no crime de apropriação indébita”, afirmou a atriz à Justiça. Ao longo do processo, Bebê foi devolvido após um acordo do novo tutor com a atriz.

Já a empresária apresentou defesa dizendo que a adoção ocorreu de boa-fé, por meio de um abrigo formal [a ONG], após o cumprimento de todos os trâmites necessários. Segundo ela, adaptação do animal à família foi rápida. “O cão se deu muito bem com a minha filhinha”, disse no processo, defendendo seu direito de permanecer com o animal.

Na ação, a empresária afirmou que o cachorro estava em um estado deplorável quando lhe foi entregue. Disse que havia sido vítima de maus-tratos. “Por mais que quebre o coração, diferentemente do posto pela atriz, o cachorro não era bem cuidado”, disse à Justiça.

Em março do ano passado, os responsáveis ONG afirmaram à Folha que o animais estavam “abandonados” desde 2022, e que a atriz não mantinha contato nem os visitava. Sabatella disse à Justiça que as acusações de maus-tratos são descoladas da realidade e que nenhuma prova foi apresentada no processo. Ela juntou nos autos declarações de vizinhos e de funcionários do seu sítio e de um médico veterinário atestando sua posição.

“A permanência do animal fora do lar não decorreu de abandono, mas de tratamento temporário, situação que, longe de caracterizar negligência, reforça o zelo e a responsabilidade”, afirmou à Justiça.

Ao determinar a busca e apreensão, a juíza afirmou que, embora a adoção tenha sido de boa-fé, a atriz tem direito de recuperá-lo. Segundo a sentença, não ficou comprovada a tese de que ao animal sofrera maus-tratos e abandono. A juíza destacou na sentença que tanto a atriz como a empresária são vítimas de um procedimento indevido de adoção.

Procurado pela Folha, o advogado Bruno Viana, que representa a família da empresária, disse que vai recorrer da sentença.

“Trata-se de uma situação muito delicada, pois nossos clientes adotaram o Bertholdo de absoluta boa-fé, por meio de um processo de adoção, sem terem sido informados naquele momento de que havia uma proprietária reivindicando o animal ou qualquer impedimento à adoção”, afirmou.

Segundo o advogado, Bertholdo “está plenamente integrado à família, que assumiu todos os seus cuidados e desenvolveu com ele um forte vínculo afetivo, inclusive uma criança que convive diariamente com o animal há cerca de um ano e meio”.

O advogado disse que a família respeita a decisão judicial, “embora evidentemente esteja muito abalada com a situação”, e espera que as circunstâncias da adoção, sua boa-fé e o bem-estar do animal possam ser considerados nas próximas etapas do processo.

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