Líder do PL na Câmara vê como “natural” diálogo com Lula, mas quer punir infiéis

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Altineu Côrtes. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Por Augusto Tenório

Líder do PL na Câmara, Altineu Cortês (RJ) considera natural a aproximação de alguns deputados da bancada do partido com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar avisa, porém, em entrevista ao site Metrópoles, que quem votar de maneira contrária à orientação “fechada” da legenda receberá punições internas. A própria liderança, porém, é acusada de aproximação com o Planalto, o que ele nega.

“Encaro com naturalidade. É óbvio que os deputados precisam respeitar as decisões partidárias, quando existe fechamento de questão, como aconteceu nessa medida provisória da reestruturação dos ministérios, os deputados devem seguir o partido. Se não, sofrerão sanções, serão punidos pelo partido. Os deputados que não acompanharam essa votação, obviamente, responderão por isso dentro do partido. Isso vai acontecer”, disse Altineu.

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Na votação da MP da Esplanada, a oposição ficou com apenas 125 votos contrários, a despeito do sufoco do governo para colocar a matéria em votação. No PL, oito deputados votaram a favor do Planalto, todos eles do Nordeste. Nos corredores do Congresso, algumas lideranças falam numa “bancada dos 30”, paralela ao bolsonarismo do partido e disposta a conversar com o governo.

Confira o vídeo:

“Existem muitas questões, pois o PL tem um número de deputados, principalmente deputados do Nordeste… São deputados que suas cidades, as suas bases eleitorais, dependem do governo federal. A gente entende a posição desses deputados, isso já foi falado em reuniões no nosso partido”, diz o líder.

De acordo com Altineu, o assunto chegou a ser debatido abertamente numa reunião realizada pelo PL com 86 deputados presentes. O líder diz que a posição da legenda sobre as votações em plenário foi exposta “claramente”.

“Onde as pautas não forem de fechamento pelo partido, esses deputados podem ter uma divergência. É óbvio que isso não vai acontecer sempre, a gente sabe disso, mas pode haver uma divergência e o partido vai saber respeitar isso”, diz.

Questionamento da liderança

Enquanto isso, a própria posição de Altineu Côrtes na liderança do PL já foi questionada pelos seus pares. As reclamações dão conta de um possível diálogo e aproximação com o governo Lula e resultaram num movimento, já contido, para retirar o parlamentar do cargo. Ele nega qualquer movimento nesse sentido, mas ressalta suas conversas com partidos da base governista.

“Não, não existe conversa minha com o governo Lula. A gente tem ótima relação com os líderes. A gente tem relação com deputados do PT, do MDB, do PSD e deputados do União Brasil, de todas as siglas. O diálogo na política é fundamental e eu, não sou um líder que exerce a liderança de forma raivosa, de forma radical. Eu exerço essa liderança com diálogo e com palavras”, disse.

Confira a entrevista completa com o líder do PL

Altineu Cortês também criticou a postura adotada por Ricardo Salles (PL-SP) ao encontrar dificuldades para garantir candidatura à Prefeitura de São Paulo. O líder do PL também defendeu a candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado na eleição de 2026.

Confira a entrevista na íntegra:

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