Lula apresenta ofensiva nacional contra o crime; conheça
O presidente Lula durante cerimônia em Brasília, em 22 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Adriano Machado
O crime mudou de tamanho. Está no celular arrancado da mão, na mulher ameaçada dentro de casa e no traficante que impõe medo a um território inteiro. Mas também está longe das ruas, escondido atrás de dinheiro lavado, negócios e relações de poder. No sétimo programa eleitoral de sua campanha, exibido no sábado (12/09), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma estratégia para enfrentar todos os aspectos da segurança pública ao mesmo tempo.
“Hoje, são quatro inimigos que temos que vencer. Os traficantes, os agressores de mulheres, os ladrões de celular e os magnatas do crime”, resumiu Lula.
A principal mudança proposta é fazer da segurança pública uma ação nacional. Hoje, pela Constituição, a responsabilidade está concentrada nos estados. Lula defende que o governo federal assuma um papel maior na coordenação e integração das forças. “Segurança pública é coisa séria. Aqui no Brasil, pela Constituição, essa é uma responsabilidade dos estados. Mas a verdade é que os estados não estão dando conta e precisam de reforço do governo federal”, constatou.
Para isso, o governo enviou ao Congresso a PEC da Segurança Pública, que define o papel da União, dos estados e dos municípios e prevê a implantação de um Sistema Único de Segurança Pública. “Não existe solução fácil para problema difícil”, costuma dizer Lula, diante de quem promete “mágicas”, mas tenta barrar a votação da PEC no Congresso. O texto foi aprovado espera por aprovação no plenário do Senado.
INTELIGÊNCIA, PRESÍDIO, TERRITÓRIO E DINHEIRO – A estratégia tem quatro frentes. A primeira coloca a inteligência no comando, com a Polícia Federal trabalhando em conjunto com as polícias estaduais e forças municipais. Também prevê ampliar o Celular Seguro para combater não apenas o roubo, mas a cadeia que transforma aparelhos roubados em negócio.
Outra frente chega aos presídios. A proposta é transformar 138 unidades estaduais em presídios de padrão federal de segurança máxima. Nas áreas dominadas pelo crime organizado, Lula propõe avançar com as forças de segurança para recuperar territórios e devolver ruas e bairros à população.
A quarta frente busca atingir o dinheiro, que é o que mantém as facções funcionando. A proposta é ampliar operações contra lideranças criminosas e seus braços infiltrados na política e no mercado financeiro, rastrear recursos e fechar as fontes de financiamento do crime organizado, como ocorreu na Operação Carbono Oculto, a maior já realizada no país de combate às cúpulas do crime organizado.
“Vamos livrar o Brasil da violência, do agressor de mulher, do ladrão que rouba na rua, do traficante que manda no seu bairro. E seguiremos combatendo os magnatas do crime, que lavam o dinheiro das facções e do crime organizado”, afirmou Lula.
Sem minimizar o tamanho do problema, o programa afirmou que os primeiros resultados já aparecem. Os homicídios caíram 20% no governo Lula em relação ao governo anterior. Foram 17 bilhões de reais em bens e recursos retirados do crime organizado só em 2025. Em 2022, a cifra foi de 1 bilhão.
EDUCAÇÃO É INVESTIR NO FUTURO – A segurança também foi ligada à prevenção. “Precisamos educar os jovens hoje para não punir os adultos amanhã”, disse Lula. Nesse ponto, o presidente apresentou a universalização do Pé-de-Meia como parte da estratégia. O compromisso é que, a partir de 2027, todos os estudantes do ensino médio da rede pública recebam incentivo para permanecer na escola.
LIBERDADE PARA INVESTIGAR – O programa também colocou frente a frente as políticas de Lula e da família Bolsonaro para a segurança. Segundo a campanha, durante o governo anterior foram colocadas em circulação mais de 1 milhão de armas e 1 bilhão de munições, e boa parte desse arsenal acabou nas mãos de facções.
O contraste chegou também à Polícia Federal. A peça recuperou declarações de Jair Bolsonaro sobre mudanças no comando da instituição e lembrou que, com Lula, a PF tem liberdade para investigar sem interferência política. “É fundamental que se investigue todo mundo sem blindagem de ninguém. Doa a quem doer”, afirmou o presidente.
A proposta de Lula para a segurança foi apresentada como uma mudança de método e de escala. O ladrão de celular, o agressor de mulher e o traficante que controla um bairro estão na mira. Mas a ofensiva não termina neles. Quer chegar também a quem lava, movimenta e protege o dinheiro que mantém o crime funcionando. Se o crime aprendeu a se organizar, atravessar fronteiras e chegar aos espaços de poder, a resposta do Estado precisa chegar antes.


