Lula defende no STF punição a ‘magnatas do crime’ em meio a caso Master

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O presidente Lula (PT) e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, durante cerimônia de abertura do ano Judiciário na corte - Gabriela Biló/Folhapress

por Folha de S.Paulo

Durante seu discurso na abertura dos trabalhos do Judiciário de 2026, ocorrido na segunda-feira (2), o presidente Lula (PT) elogiou operações que miraram financiadores do crime organizado, em mais uma citação a respeito do chamado “andar de cima”.

“Com a operação Carbono Oculto, o Poder Judiciário, a Polícia Federal e a Receita Federal chegaram aos mandantes do crime organizado. Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, e sim em alguns dos endereços mais nobres no Brasil e no exterior”, declarou.

A operação citada por Lula apurou crimes financeiros e lavagem de dinheiro que envolviam a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), gestoras da Faria Lima e o setor de combustíveis.

No ano passado, Lula não discursou na sessão de abertura do ano judiciário —que marca a retomada dos trabalhos da Justiça após o recesso. A escolha por discursar cabe ao presidente da República e ocorre, este ano, em um momento de tensões internas no Supremo, em meio ao escândalo do Banco Master, cujo relator do caso na corte é o ministro Dias Toffoli.

O magistrado está no centro das discussões sobre o caso, que impulsionou também o debate sobre um código de conduta na corte. Relator da investigação do Banco Master, Toffoli viajou de jatinho com um dos advogados da causa no fim de novembro. Além disso, negócios familiares associam os seus irmãos a um fundo de investimentos ligado à instituição financeira.

As investigações mostraram proximidades do magistrado com um dos advogados da causa, levantando questionamentos sobre sua posição na relatoria do caso.

Sobre o tema, o presidente do STF já afirmou que a investigação tende a sair da corte.

Lula já se manifestou publicamente de forma crítica sobre as fraudes do banco. Na metade de janeiro, o presidente reuniu, no Palácio do Planalto, autoridades envolvidas na investigação para tratar do tema. Entre elas, o ministro do STF Alexandre de Moraes, o diretor da Receita, Robinson Barreirinhas, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Após o encontro, o petista se referiu às investigações em torno do caso Master como um momento histórico para o país e disse que o Estado brasileiro irá derrotar o crime organizado, durante cerimônia da posse de seu novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Como mostrou a Folha, ele também manifestou irritação a aliados com a conduta de Toffoli na relatoria e deu sinais de que não pretende defender o ministro.

No discurso da segunda (2), Lula também falou sobre a questão da violência contra as mulheres e mencionou o “Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio”, que deve ser firmado entre os três Poderes nesta quarta-feira (4).

“Assassinos e agressores devem ser punidos com todo o rigor da lei, mas é preciso também educar os meninos. E conscientizar os homens de que nada, absolutamente nada, justifica qualquer forma de violência contra meninas e mulheres. Seja na realidade ou no ambiente digital.”

Declarações sobre o tema passaram a ser mais recorrentes nos discursos de Lula após episódios recentes de repercussão pelo país. Ao longo de seu mandato, porém, o presidente acumula deslizes e falas que foram criticadas por serem consideradas machistas. Em uma delas, ao condenar violência doméstica, falou em tom de piada que “se o cara for corintiano, tudo bem”.

Lula citou ainda os ataques do 8 de janeiro de 2023 e as condenações no caso.

“Democracia se constrói com eleições livres, mas se preserva com instituições capazes de defendê-las. Uma democracia sólida exige instituições confiáveis, mecanismos de prestação de contas e proteção contra abusos de poder. A condenação dos golpistas deixou uma mensagem clara: Os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei.”

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