Lula diz não saber a verdade sobre caso Lulinha, mas que acredita no filho e quer investigação
Lula e seu filho, Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha (de preto) - Nelson Almeida - 3.fev.18/AFP
por Folhapress
O presidente Lula (PT) disse nesta sexta-feira (14) que acredita na inocência de seu filho, investigado em três inquéritos diferentes, e defendeu que as apurações continuem. O petista declarou ter instruído os advogados a não pedir o “fechamento” dos processos. Apesar disso, o presidente disse que não sabe a verdade sobre o que aconteceu.
Fábio Luis Lula da Silva, que ficou conhecido como Lulinha apesar de não ter esse apelido em sua vida pessoal, é investigado em inquéritos sobre suspeita de tráfico de influência. Dois deles estão sob responsabilidade do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, e um sob Flávio Dino.
“Ele jura por tudo que é sagrado que não tem nada, e eu acredito nele. Mas eu já disse aos advogados: ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho. Quer fazer inquérito? Faça. Eu quero que ele seja investigado, não tem problema nenhum”, disse o presidente da República.
“Só ele sabe a verdade. Só ele. Eu não sei a verdade. Ele sabe se fez ou não fez. Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue”, afirmou o petista. “Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Agora, ele já foi acusado de muitas coisas. Toda eleição aparece o meu filho”, disse.
O presidente da República preferiu não fazer um juízo de valor sobre as investigações, porque disse que isso poderia colaborar com o desgaste das instituições.
Lula deu as declarações em entrevista ao podcast Não Inviabilize, transmitida em vídeo. As entrevistadoras demonstravam ser simpáticas ao presidente da República. Uma delas, no início da conversa, disse que havia chorado ao ver o petista.
O presidente tem dado entrevistas a podcasts para tentar atingir públicos que não o seguem normalmente, especialmente os mais jovens. Recentemente, ele falou ao Inteligência LTDA. e ao Meteoro Brasil.
Com essa estratégia, evita ser submetido a perguntas mais duras que costumam ser feitas em entrevistas a grandes veículos de imprensa que cobrem o dia-dia da política. Neste ano, a única entrevista exclusiva do petista a um veículo de imprensa de alcance nacional foi em fevereiro, ao UOL.
Nas viagens aos estados, o petista costuma falar com emissoras locais afiliadas a grandes redes de televisão.
As investigações sobre o filho de Lula envolvem a suspeita de atuação da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, em favor de uma empresa junto a um órgão público, segundo pessoas a par do caso ouvidas reservadamente pela Folha.
A defesa de Lulinha disse, em nota, que ele “não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade”. Os advogados afirmaram ter “confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino”, mas pediram providências contra “vazamentos reiterados, seletivos e criminosos”.
“Não podemos permitir que interesses não republicanos e externos contaminem procedimentos investigativos ou o próprio processo eleitoral. Em uma democracia de dimensões continentais, investigações devem ser imparciais e eleições devem ser decididas com votos”, declararam os advogados Guilherme Suguimori Santos e Marco Aurélio de Carvalho.


