MPF cobra explicações da Meta sobre mudanças nas políticas de moderação de plataformas

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Fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Foto: GETTY IMAGES/BBC

A Meta, dona do Instagram e do Facebook, anunciou na terça-feira (7) que está encerrando o seu programa de verificação de fatos, começando pelos Estados Unidos.

A empresa vai adotar as “notas de comunidade”, em que os próprios usuários fazem correções — um recurso similar ao implementado pelo X, de Elon Musk.

Diante das mudanças, o MPF quer saber detalhes da alteração e avaliar de que forma poderão, eventualmente, afetar os usuários brasileiros.

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Na avaliação dos procuradores, algumas das mudanças anunciadas “alteram radicalmente” uma parte substantiva do que foi informado pelos responsáveis pelas plataformas Facebook/Meta e Instagram como providências que seriam adotadas para enfrentar a “desinformação organizada socialmente danosa e violência no mundo digital”.

“Nesse cenário, o que se tem, portanto, é o anúncio de mudanças que alteram, de modo substantivo, o conjunto de providências que, perante o Ministério Público Federal, foram indicadas pelos responsáveis pelas plataformas Facebook/Meta e Instagram como determinantes “para coibir a desinformação e promover um ambiente seguro e saudável em seus serviços”, diz o MPF.

Segundo o documento, ”é absolutamente relevante, diante disso, provocar a empresa Meta para que detalhe tais mudanças, sobretudo em relação a seus eventuais impactos para as políticas de moderação de conteúdos até agora desenhadas e aplicadas no Brasil”.

“Afinal, compreender se e como tais mudanças impactarão o ambiente experienciado pelos usuários brasileiros destas plataformas é um passo indispensável para, no escopo do presente Inquérito, avaliar a compatibilidade de tais providências com o ordenamento jurídico hoje em vigor em nosso país”, prossegue.

A determinação para que a Meta apresente as informações é um desdobramento de um inquérito civil da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão que investiga a conduta de plataformas digitais no enfrentamento à desinformação e à violência no mundo digital no Brasil.

🔎O caso foi aberto em 2021. O MPF/SP cobra melhorias das plataformas para identificar e combater ações como a produção de conteúdos falsos, o disparo de mensagens em massa e o uso de robôs e perfis fictícios.

Mudanças no Instagram e Facebook

O anúncio foi feito pelo próprio presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, que afirmou que os verificadores “tem sido muito tendenciosos politicamente e destruíram mais confiança do que criaram”.

E assumiu que, com o fim da verificação por terceiros, “menos coisas ruins serão percebidas” pela plataforma. “Mas também vai cair a quantidade de posts e contas de pessoas inocentes que, acidentalmente, derrubamos.”

Em vídeo no Instagram, Zuckerberg também disse que a empresa vai trabalhar com Donald Trump, que assume a presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20.

As principais mudanças anunciadas pela Meta são:

  • a Meta deixa de ter os parceiros de verificação de fatos (“fact checking”, em inglês) que auxiliam na moderação de postagens, além da equipe interna dedicada a essa função;
  • em vez de pegar qualquer violação à política do Instagram e do Facebook, os filtros de verificação passarão a focar em combater violações legais e de alta gravidade.
  • para casos de menor gravidade, as plataformas dependerão de denúncias feitas por usuários, antes de qualquer ação ser tomada pela empresa;
  • em casos de conteúdos considerados como de “menor gravidade”, os próprios usuários poderão adicionar correções aos posts, como complemento ao conteúdo, de forma semelhante às “notas da comunidade” do X;
  • Instagram e Facebook voltarão a recomendar mais conteúdo de política;
  • a equipe de “confiança, segurança e moderação de conteúdo” deixará a Califórnia, e a de revisão dos conteúdos postados nos EUA será centralizada no Texas (EUA).

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