Paula Fernandes fala sobre assédio e fama de antipática: ‘Fui injustiçada’
Paula Fernandes: 'Houve uma perseguição, assumo que errei. Estava mal assessorada' - Lucas Nathan/Flashbang Media House/Divulgação
por F5
Não foi das mais fáceis a trajetória de sucesso da cantora Paula Fernandes, 41. Segundo ela, seu jeito mais introspectivo acabou a prejudicando. Paula considera que não ser da ‘tchurma’ pode ter ajudado a criar uma certa fama de antipática, um ligeiro ranço que algumas pessoas ainda têm.
“Tenho uma postura muito séria. Se eu fosse mais expansiva, tomasse cachaça e tivesse outro tipo de personalidade, talvez não tivessem essa impressão [de antipática]”, afirma ela, que grava um DVD em São Paulo no próximo dia 16 com convidados especiais.
Paula conta que o que mais deseja nesse momento é se livrar desse o rótulo colocado nela. “Ganhar prêmios é muito bom, mas o que me faz falta é isso. Recebi muito ataque, fui muito injustiçada, o que é frustrante para quem trabalha como eu.” Confira abaixo a entrevista completa com a cantora.
Você grava dia 16, em SP, um DVD com Ana Castela entre os convidados. O que esperar?
Tudo à flor da pele. O público pode esperar o melhor de mim, pois não sei fazer nada pela metade. A Ana é uma representante da nova geração. Sei da história dela, que me tem como uma referência. E hoje ela é uma inspiração para mim também.
Qual a concepção desse projeto? Tem outros cantores?
Anunciamos o Sérgio Reis, o meu pai postiço, como o chamo. Também terá Zezé Di Camargo, o padre Fábio de Melo, Guilherme e Santiago. Cantaremos algumas inéditas, mas a maioria será de clássicos, respeitando os arranjos originais.
Com mais de 2 bilhões de streams, Grammys e 15 turnês internacionais, o que falta para você?
Sou uma pessoa muito realizada, tudo o que queria eu conquistei. Mas o que falta é mudar um pouco a minha imagem, mostrar melhor quem eu sou, a minha essência às pessoas.
Como assim? Tirar esse estereótipo, esse rótulo que sou inacessível. Ganhar prêmios é muito bom, mas o que me faz falta é isso. Recebi muito ataque, fui muito injustiçada, o que é frustrante para quem trabalha como eu. Apesar de não ser barraqueira, nunca quis entrar em atrito, mas talvez [se eu entrasse] as pessoas teriam outro olhar para mim.
E o que tem feito para melhorar isso?
É um trabalho que vem sendo feito, mas não pago para falarem bem de mim. Esse trabalho é no dia a dia, a rede social ajuda a me mostrar como sou. Sou discreta, não exponho muito da minha vida e isso dificulta um pouco para as pessoas me enxergarem mais humana. Muita gente acha que me conhece, mas poucos sabem quem é a Paula de Souza, com TPM, dor de cabeça, a que briga com namorado, chora. Houve uma perseguição, assumo que errei. Estava mal assessorada. Assumo que era impossível atender às demandas. Em 2011, fiz 220 apresentações. Eu só sobrevivia, chorava no quarto do hotel.
Você já escutou coisas que não gostou no sertanejo?
Eu fui muito assediada e isso interferiu na visão dos contratantes. Tenho uma postura muito séria. Se eu fosse mais expansiva, tomasse cachaça e tivesse outro tipo de personalidade, talvez não tivessem essa impressão [de antipática] sobre mim. Sempre que chegavam me dando cantadas, eu saía de forma elegante. Muita gente não me contratou mais. Ser mulher é muito complicado, se eu fosse homem não seria a antipática por conta do machismo. Quando estou me preparando para os shows, não converso muito, preservo minha voz.
Roberta Miranda já expôs uma briga com você publicamente...
Não tenho nada contra ela, a convidei para um DVD, não entendo o ranço dela. Na verdade posso até imaginar, mas ai vai para outro patamar de pensamento. Não quero o espaço dela nem o de ninguém, eu sou a Paula Fernandes desde os 9 anos. Eu queria cantar e ser igual a mim mesmo. Posso ter pessoas como referência, mas tenho orgulho de não ser cópia. Não quero posto de rainha, quero agradar meus fãs e sinto muito se desagrado só por existir.
Você trabalhou como atriz em ‘Coração Acelerado’. Quer continuar nesse caminho?
É bastante difícil conciliar tudo, é muito intenso, mas gostei. Quero estar em grandes obras, fazer um filme, uma mocinha, até uma vilã. Acho que muita gente não me vê como vilã.
Você acha que cantará até quantos anos? Pensa em desacelerar algum dia?
Algumas pessoas dizem que eu sumi, mas nunca estive tão presente. O que acontece é que eu administro melhor meu tempo. Eu já desacelerei pela saúde mental e física. Se mantivesse a rotina de antes, eu adoeceria. A estrada é difícil, principalmente para mulher, mas vale a pena. Me vejo cantando até o último dia da minha vida, sem parar.
Você pensa em maternidade?
Não tenho essa coisa de ‘preciso ser mãe’. Se eu for e tiver a sorte de encontrar um grande parceiro, pode acontecer, pois para ter um filho tem que ter estrutura. Não acho que serei mãe solo, quero olhar para alguém e sentir a necessidade de viver essa experiência com ela. Eu congelei óvulos e ainda estou nesse processo para garantir que eu tenha tempo.
Qual a sua relação com religião?
Já falei sobre isso e fui mal interpretada. A minha maneira de ter fé é por meio da gratidão diaria de tentar ser minha melhor versão. Respeito todas as fés que salvam pessoas sem direcionamento. Mesmo aquele que se adequa mais ao meu jeito de pensar pode se tornar limitante se eu tornar algo minha única referência, então não me posiciono. Acredito numa energia maior que faz a gente estar aqui e seja possível respirar. E creio que a vida continua.
