PF intima Galípolo, Campos Neto e André Esteves a depor como testemunhas em inquérito sobre Master

A Polícia Federal intimou, no início de agosto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-chefe da autoridade monetária Roberto Campos Neto a prestar depoimento como testemunhas no inquérito sobre a fiscalização do Banco Master, de Daniel Vorcaro –liquidado em novembro de 2025.
O dono do BTG Pactual, o banqueiro André Esteves, e o atual diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também foram convocados para falar à corporação. As audiências serão realizadas por videoconferência. O trecho do documento ao qual a Folha teve acesso não indica quando serão realizadas.
A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Banco Central, por e-mail, e também procurou, por mensagem de WhatsApp, Galípolo e Aquino, mas ainda não houve resposta.
Em nota, a defesa do ex-presidente do BC disse que ainda não foi intimada sobre o assunto. O comunicado é assinado pelos advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti.
“A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor”, afirmam.
O BTG informou que não irá se manifestar.
As investigações envolvem dois ex-servidores do BC: Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. Segundo o inquérito, eles teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC, passando informações sobre a fiscalização do banco.
A defesa de ambos nega que eles tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.
Em depoimento à PF, Paulo Sérgio Neves disse que o banco de André Esteves teria descoberto uma fraude de R$ 32 bilhões no Master depois de encerrar uma due diligence (investigação de riscos e oportunidades de um investimento) em novembro de 2024. Campos Neto teria participado de reunião sobre o tema.
“Relata que a comunicação do BTG foi verbal, feita por telefone no dia 29 de novembro, e que o diretor Ailton lhe disse para ir a São Paulo na segunda-feira, pois na terça-feira o BTG faria uma apresentação; que a apresentação foi realizada no dia 3 de dezembro de 2024, estando presentes o presidente Roberto Campos Neto (…); que o BTG não entregou documentação na reunião”, diz trecho da oitiva.
Em mensagens, Vorcaro também afirmou que o Banco Central pediu que ele se reunisse com Esteves em abril do ano passado para ouvir uma proposta. O BTG já negou ter tido interesse na compra do Master e disse que apenas fez “compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez”.
O atual diretor de Fiscalização também já prestou depoimento às autoridades. Ele afirmou à Polícia Federal que o BTG pediu ao BC, em outubro de 2025, uma carta de conforto para a compra de novos ativos do Banco Master, nos mesmos moldes solicitados pela J&F na aquisição da Korv Seguradora, para evitar que a operação fosse questionada como fraude à liquidação –o que foi confirmado depois.
Segundo Ailton de Aquino, os dois ex-servidores do BC suspeitos de favorecer Vorcaro participaram de várias reuniões com a corporação, nas quais discutiram o caso do Master, antes de se tornarem alvos de suspeição.
Também disse que havia um ambiente hostil no órgão durante o processo de decisão sobre o futuro do banco de Vorcaro, com intensos vazamentos de informações. De acordo com o relato, ele e Galípolo não confiavam em ninguém naquele momento e já haviam tomado a decisão pela liquidação.


