Renan Santos acusa Flávio Bolsonaro de receber apoio de perfis estrangeiros no X
por coluna Mônica Bergamo, Folhapress

O candidato à Presidência Renan Santos e seu partido, o Missão, acionaram o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta quarta-feira (23) contra cinco perfis estrangeiros no X (ex-Twitter) que, segundo a sigla, publicaram conteúdo pago que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
A representação pede ao vice-presidente do tribunal, o ministro André Mendonça, liminar para retirar do ar cinco publicações e bloquear no Brasil anúncios da Polymarket relacionados à eleição brasileira. A plataforma americana permite apostas sobre eventos futuros, incluindo eleições e está proibida no Brasil desde abril. Tanto Flávio quanto o X não se manifestaram após serem procurados.
Segundo o Missão, os perfis Visegrad24, Matt Gaetz, Geiger Capital, Eric Daugherty e UHN Plus fizeram, entre 20 e 21 de setembro, publicações sobre a disputa presidencial brasileira identificadas pelo X como “parcerias pagas”. A sigla afirma que os posts apresentam Flávio de forma favorável e foram direcionados a usuários no Brasil. Somados, os perfis contam com 8 milhões de seguidores.
A legenda sustenta que os conteúdos configuram propaganda eleitoral paga por terceiros e uso de recursos estrangeiros, o que seria proibido pela legislação eleitoral. A representação cita regras que permitem propaganda paga na internet apenas por partidos, candidatos e outros agentes autorizados.
O Missão também pede que os responsáveis pelas publicações sejam multados em R$ 5.000 a R$ 30 mil ou no dobro do valor gasto, caso esse montante seja superior. Se os autores dos perfis estrangeiros não puderem ser responsabilizados, o partido pede que o X responda subsidiariamente.
No pedido, a sigla afirma que as cinco publicações tiveram centenas de milhares de visualizações e alcançaram o público brasileiro. Também solicita que o X preserve informações sobre a contratação dos anúncios, a identificação dos anunciantes e a origem dos recursos.
A representação vai ao encontro da apuração da Folha, que mostrou uma série de contas estrangeiras, em sua maioria ligadas ao ecossistema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm publicado conteúdo pago para divulgar a disparada de Flávio Bolsonaro na Polymarket.
Em vídeo divulgado nesta quarta, Renan afirmou que a ação trata de uma suposta interferência estrangeira na eleição. Segundo ele, perfis de direita dos Estados Unidos estariam pagando para distribuir conteúdo a eleitores brasileiros em benefício de Flávio. O candidato também disse que a prática representaria uso de recursos fora da contabilidade eleitoral.


