Rede Globo está em temporada de demissões. Arte: Pleno.News

O Sindicato dos Artistas e Técnicos do Rio (Sated/RJ) vai entrar na Justiça contra a Globo. O motivo é a baixo valor pago aos atores pelas reprises das novelas. Na quarta-feira passada (3), Mateus Solano, que já não tem contrato fixo com a emissora desde o ano passado, usou as redes sociais para reclamar desta remuneração.

Um dos protagonista da novela “Viver a Vida” (2009), que vai ser novamente exibida, ele debochou: “Quanto será que o Canal Viva vai faturar? E nós, os intérpretes? Direito autoral não é favor”.

Para Hugo Gross, presidente do Sated/RJ, a Globo “vem tratando a categoria com muito desdém os profissionais que fizeram a emissora ser campeã de audiência”. Hugo afirma que o trabalho e o direito autoral “são direitos irrenunciáveis” e que o sindicato vai “lutar com unhas e dentes dentro da esfera judicial” pelos direitos dos artistas.

Sérgio Marone tem discurso semelhante ao de Solano e “compra o barulho” do colega. “Novelão! Que também fez sucesso por causa dos atores. Quanto será que os atores vão ganhar com essa reexibição? Por que o canal Viva vai faturar bastante”, postou.

Não é de hoje que ex-atores da Globo criticam o valor pago não só pelas reprises, mas também pela venda das novelas para outros países (os direitos conexos). Recentemente, Kadu Moliterno contou, ao programa “Sensacional”, da RedeTV!, que recebeu pouco mais de R$ 300 por uma novela vendida para dez países. Em 2020, Maria Zilda revelou ter recebido R$ 237,40 pela reexibição de “Selva de Pedra” no Viva.

“Quando o Viva inaugurou, o canal não tinha patrocinador, não tinha anunciante. Então, eu entendia eles não pagarem. Depois, começaram a ter comerciais e anunciantes, só que continuaram sem pagar”, comentou.

Lucélia Santos já afirmou nunca ter recebido dinheiro pela venda das novelas clássicas que protagonizou: “Nunca recebi um centavo de direito por meu trabalho e divulgação no exterior. A gente está falando de ‘Escrava Isaura’, ‘Sinhá Moça, ‘Ciranda de Pedra’… Só ‘Escrava Isaura’ e ‘Sinhá Moça’ são duas das que mais venderam. Eu nunca recebi um centavo”, disse ela a um podcast, em janeiro de 2024.

Assim que as críticas sobre o pagamento dos direitos autorais começaram a repercutir, a Globo enviou um comunicado à imprensa. “A Globo efetua todos os pagamentos referentes aos direitos autorais e conexos devidos a autores, diretores e atores, em obras reexibidas ou exibidas nos canais pagos e no Globoplay, de acordo com os contratos celebrados com cada um”, disse.

A nota frisava ainda que a empresa é defensora dos direitos autorais. “Reconhecendo a importância da preservação dos direitos de propriedade intelectual, dos quais é uma grande defensora”.

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