‘Só queria trabalhar’, lembra madrinha sobre adolescente assassinado e decapitado, em Bayeux, PB

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Eusélia Vasconcelos era madrinha de Renan, de 16 anos, que foi enterrado na manhã desta quarta-feira (10) — Foto: TV Cabo Branco/reprodução

A madrinha do adolescente Renan Douglas, de 16 anos, Eusélia Vasconcelos, declarou que os pais do garoto não queriam que ele trabalhasse. Ele tinha começado trabalhar por conta própria com o colega Wendes de Caldas comprando restos de paletes para reformar e vender. Foi depois de saírem de uma sucata para comprar esse material que os dois foram vistos pela última vez. Cinco dias depois, foram encontrados enterrados e decapitados, em Bayeux.

“Só queria trabalhar, os pais nem queriam que ele trabalhasse esse emprego porque eles tinham condições de manter ele, como ele só estudava. Mas ele queria sempre ter o dinheirinho dele”, comentou.

Eusélia deu entrevista à TV Cabo Branco durante o enterro de Renan, no Cemitério do Cristo, na quarta-feira (10). O enterro de Wendes também aconteceu nesta quarta, mas no Cemitério de Cruz das Armas. Devido ao estado que se encontravam os corpos, não houve velório.

Segundo o delegado Diego Garcia, os jovens podem ter sido mortos por serem residentes de uma região que é dominada por uma facção criminosa rival da que atua no local onde eles estavam.

A madrinha também lembrou da última vez que falou com Renan, no último dia 2: “Ele veio pegar a irmãzinha dele que estava brincando com minha neta. Ele me deu a benção. Ele me deu um abraço e pronto, aí de lá pra cá eu não vi mais”, lamentou Eusélia.

Relembre o caso

Os jovens do Jardim Veneza, em João Pessoa, estavam desaparecidos desde o último dia 4 de julho, após saírem de uma sucata em Imaculada, em Bayeux, e não serem mais vistos. De acordo com familiares de ambos, fazia um mês que os dois se juntaram para trabalhar por conta própria comprando restos de paletes para reformar e vender.

Os corpos dos jovens Renan Douglas, de 16 anos, e Wendys de Caldas, de 24 anos, foram encontrados decapitados, com as mãos amarradas e enterrados em uma cova rasa, em Bayeux — Foto: Arquivo pessoal
Os corpos dos jovens Renan Douglas, de 16 anos, e Wendys de Caldas, de 24 anos, foram encontrados decapitados, com as mãos amarradas e enterrados em uma cova rasa, em Bayeux — Foto: Arquivo pessoal

Segundo funcionários da sucata, eles chegaram por volta das 14h e foram embora após as 16h. O desaparecimento foi registrado no último dia 5 e remetido para a Delegacia de Homicídios.

Na terça-feira (9), os corpos dos jovens foram encontrados decapitados, com as mãos amarradas e enterrados em uma cova rasa.

Polícia encontra corpo em cova rasa em Bayeux com ajuda de cão farejador — Foto: Polícia Civil/divulgação
Polícia encontra corpo em cova rasa em Bayeux com ajuda de cão farejador — Foto: Polícia Civil/divulgação

Os corpos tinham marcas de perfurações de tiro, e, além disso, os policiais também encontraram um facão próximo ao local, que pode ser uma arma utilizada no crime, não só para ferir as vítimas, como também para decapitá-las.

Um suspeito de ter envolvimento com a morte dos meninos foi preso no bairro Rio do Meio. Segundo a polícia, ele é investigado por diversos homicídios, além de ter envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).

O homem preso não teria agido sozinho e a polícia investiga a participação de outras pessoas. Ele foi ouvido nesta terça-feira e ficou em silêncio durante depoimento. A informação foi fornecida na quarta-feira (10) pelo delegado Diego Garcia, que ainda não divulgou o grau de participação do suspeito no caso.

Protesto cobrando solução

Os familiares de Renan e Wendes fizeram um protesto na segunda-feira (8), para cobrar solução para o caso e interditaram um trecho da BR-101, em João Pessoa. A manifestação começou perto das 8h no km 87 da BR-101. Cerca de 20 pessoas atearam fogo em pneus e outros materiais e interditaram os dois sentidos da via.

No início da tarde da terça-feira (9), manifestantes realizaram um protesto na BR-101, em João Pessoa, e bloquearam o trânsito nas proximidades das Três Lagoas. Com início por volta das 12h, os manifestantes atearam fogo em colchões, pneus, pallets, entre outros materiais para bloquear a rodovia, que ficou interditada nos dois sentidos e causou um longo congestionamento. Às 15h, ambos os sentidos da estrada estavam liberados.

Em determinado momento do protesto, houve a intervenção da Polícia Militar, que utilizou balas de borracha contra os manifestantes, ação que levou ao fim do confronto pouco depois. Quatro pessoas foram detidas no protesto.

Manifestantes bloquearam a BR-101, em João Pessoa, pedindo justiça pela morte dos jovens Renan e Wendys, que foram decapitados e enterrados, em Bayeux — Foto: Silvia Torres/TV Cabo Branco
Manifestantes bloquearam a BR-101, em João Pessoa, pedindo justiça pela morte dos jovens Renan e Wendys, que foram decapitados e enterrados, em Bayeux — Foto: Silvia Torres/TV Cabo Branco

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