‘Sou seu novo Papai Noel’: principal opositor de Putin, Navalny ironiza realidade da prisão Lobo Polar, no Ártico, onde está preso
Alexei Navalny — Foto: Pavel Golovkin/AP Photo/picture alliance
O político de oposição russo, Alexei Navalny, usou as redes sociais na terça-feira (26/12) para confirmar que foi transferido para a prisão conhecida como “Lobo Polar”, acima do Círculo Polar Ártico.
“Eu sou o seu novo Papai Noel”, escreveu Navalny brincando em sua primeira postagem de sua nova prisão, uma referência às duras condições climáticas de lá.
No depoimento ele diz ainda estar bem e com um excelente humor, apesar da viagem desgastante de cerca de 20 dias.
“Os 20 dias de transferência foram bastante cansativos, mas ainda estou de excelente humor, como deveria estar o Papai Noel.”
Navalny perdeu contato com sua equipe de comunicação e advogados no dia 6 de dezembro e ficou desaparecido até ser reencontrado na segunda-feira (25/12).
“Bem, agora tenho um casaco de pele de carneiro, um chapéu ushanka (um chapéu de pele com abas que cobrem as orelhas) e em breve vou comprar um valenki (tradicional calçado russo utilizado no inverno).
Prisão Lobo Polar

O novo conjunto, onde ficará Navalny, é conhecido como colônia “Lobo Polar” e é considerada uma das prisões mais difíceis da Rússia. A maioria dos prisioneiros que continuam nela foram condenados por crimes graves.
Durante o inverno, as temperaturas no local podem chegar a até -28°C.
Cerca de 60 km ao norte do Círculo Polar Ártico, a prisão foi fundada na década de 1960 como parte do que já foi o sistema GULAG de campos de trabalhos forçados soviéticos, segundo o jornal Moskovsky Komsomolets.
Kira Yarmysh, porta-voz do político russo, disse acreditar que a decisão de o transferir para um local tão remoto e inóspito foi projetada para isolá-lo, tornar sua vida mais difícil e complicar o acesso de seus advogados e aliados.
Navalny está preso na Rússia desde janeiro de 2021, quando regressou a Moscou depois de se recuperar na Alemanha de um envenenamento que ele atribuiu ao Kremlin. Antes de ser preso, ele fez campanha contra a corrupção e organizou grandes protestos anti-Kremlin.
Ele nega as acusações.
