Sucessão de Lira está indefinida, e presidente da Câmara busca o aliado com maiores chances; veja concorrentes

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Arthur Lira. Foto: Reprodução

A eleição para a presidência da Câmara será em fevereiro do ano que vem, mas parlamentares já se movimentam para se viabilizar na disputa.

O atual presidente, Arthur Lira (PP-AL), não poderá concorrer à reeleição e tenta eleger um aliado para a cadeira.

A disputa já se reflete na pauta da Casa. Lira tem colocado em votação projetos de interesse de determinadas bancadas, como a evangélica, para tentar atrair apoio na eleição.

Oficialmente, Lira ainda não definiu quem apoiará, mas o deputado Elmar Nascimento (União-BA) é apontado pelos colegas como o favorito do presidente. Lira tem dito que vai anunciar seu apoio em agosto.

Elmar Nascimento (União-BA)

O deputado Elmar Nascimento (União-BA), líder do União Brasil na Câmara — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O deputado Elmar Nascimento (União-BA), líder do União Brasil na Câmara — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Elmar é o líder do União Brasil na Câmara, considerado o sucessor natural de Lira. O União tem hoje 58 deputados, e é a terceira maior bancada da Casa, atrás apenas do PL (92) e do PT (67). Ele, no entanto, sofre resistências por ser considerado muito próximo ao presidente e uma espécie de “continuidade” da gestão Lira.

Entre os governistas, a situação é ainda mais complicada. Ele foi cotado para assumir uma vaga entre os ministros do governo Lula ainda durante o período de transição, mas sofreu forte resistência .

O parlamentar é adversário político do ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). No estado, Elmar Nascimento fez campanha para ACM Neto, presidente do seu partido, contra o então candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, que acabou sendo eleito.

Também pesa contra o deputado ter votado contra a prisão do suposto mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco, o que incomodou o Planalto. Apesar disso, essa votação é minimizada por deputados, que relativizam o voto como uma tentativa de demonstração de força da Câmara diante de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Marcos Pereira (Republicanos-SP)

O deputado federal Marcos Pereira, em entrevista ao Estúdio i. — Foto: Reprodução/GloboNews
O deputado federal Marcos Pereira, em entrevista ao Estúdio i. — Foto: Reprodução/GloboNews

Outro postulante é Marcos Pereira (Republicanos-SP). Ele é considerado um nome com bom trânsito na Casa. Foi eleito vice-presidente em duas ocasiões, na atual gestão de Arthur Lira e na última presidência de Rodrigo Maia (PSDB-RJ), à época no DEM, à frente da Câmara.

Pereira também tem boa interlocução com a bancada evangélica, hoje comandada por um deputado do seu partido, Silas Câmara (Republicanos-AM). Câmara afirma que Marcos Pereira preza pelo diálogo e dificilmente imporia uma agenda de costumes, mesmo sendo evangélico.

Ele avalia que Pereira dificilmente se envolveria em uma polêmica como a recente votação de tramitação com urgência de um projeto que dificultava a prática do aborto, mas decidiria pela análise do projeto em diferentes comissões, seguindo o ritmo tradicional.

Ainda que diga a aliados que seguirá com a candidatura até o fim, deputados apontam Hugo Motta (Republicanos-PB) como um substituto possível dentro do Republicanos.

Antônio Brito (PSD-BA)

O deputado Antonio Brito (PSD) — Foto: Divulgação
O deputado Antonio Brito (PSD) — Foto: Divulgação

É considerado o mais governista entre os postulantes, o que afasta integrantes da oposição e parte do “Centrão”.

Os deputados avaliam que eventual submissão de Brito ao governo poderia arrefecer o empoderamento que a Câmara adquiriu sob a gestão de Lira, especialmente na cobrança pela liberação de emendas parlamentares.

Por outro lado, Brito é próximo ao presidente do partido, Gilberto Kassab, que ocupa a secretaria de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, comandada pelo bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Este fato pode atrapalhar Brito, porque daria muito poder a Kassab

O deputado tem trânsito fácil entre as bancadas, da esquerda à direita. Outro ponto positivo é que o relator do Orçamento de 2025, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), é do partido de Brito, uma aposta do candidato para ganhar tração entre os integrantes do “Centrão”. A gestão do Orçamento é um posto estratégico para atender a demandas dos deputados em relação a distribuição de recursos.

Isnaldo Bulhões (MDB-AL)

Deputado Isnaldo Bulhões — Foto: Reprodução/GloboNews
Deputado Isnaldo Bulhões — Foto: Reprodução/GloboNews

Até aqui, o deputado é o mais discreto entre os candidatos já colocados para a disputa.

Ele é aliado da família Calheiros em Alagoas, adversária de Lira, o que pode dificultar sua campanha. Por outro lado, pode se consolidar como o candidato “anti-Lira”.

Dentro do MDB ainda ressoa o trauma da campanha de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Casa, em 2021, contra Arthur Lira. Baleia alcançou 145 votos contra 302 de Lira.

Correndo por fora

Também circulam na Câmara os nomes de Altineu Côrtes (PL-RJ) e Dr Luizinho (PP-RJ).

Altineu é líder do PL. Deputados avaliam, no entanto, que ele vai tentar reunir o maior número de votos possíveis para se retirar da disputa e conseguir vagas para o partido na Mesa Diretora.

Luizinho tenta se viabilizar e é considerado um alternativa de Lira para o caso de Elmar não emplacar sua candidatura.

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