Tropa especializada da PM só recebeu ordem para agir no 8 de janeiro após manifestantes invadirem o Congresso

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Invasão ao Congresso Nacional. Foto: EFE/ Andre Borges

por Tainá Farfan, João Rosa e Marcos Amorozo

A tropa especializada da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), responsável pela contenção dos atos criminosos de 8 de janeiro, só recebeu ordens para agir contra os manifestantes 40 minutos depois do rompimento da primeira linha de defesa estabelecida pelos policiais.

Nenhuma orientação foi dada para que o Patrulhamento Tático Móvel (Patamo), que faz parte da tropa de choque, agisse quando os manifestantes chegaram ao Congresso Nacional.

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No auge das depredações, um dos principais equipamentos da PMDF para conter os invasores, o blindado Centurion, apresentou problemas mecânicos e simplesmente parou de funcionar.

O veículo foi adquirido pelo governo do Distrito Federal há dez anos para ser usado no controle de protestos. Porém, no momento em que a polícia precisou do blindado para conter a invasão aos prédios públicos, o veículo apresentou uma pane, o que impossibilitou o uso do Centurión para tentar conter os invasores.

As informações constam em relatório da PM compartilhado com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro.

“Por volta das 13h50, avistou-se que houvera o rompimento da primeira linha de revista na via N1, no entanto, não houve determinação superior para que o Patamo iniciasse resposta de controle de massa em face dos perturbadores da ordem”, aponta o documento.

A tropa de choque é uma unidade da PMDF especializada em controlar e dispersar multidões em manifestações inconstitucionais. Segundo denúncia enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a tropa de Choque da PMDF demorou uma hora e meia para chegar à Câmara dos Deputados.

O relatório aponta que os policiais especializados tentaram conter os manifestantes 40 minutos depois de eles terem violado a primeira linha de defesa, o que permitiu que os golpistas chegassem até o prédio da Câmara dos Deputados.

“Às 14h30, o público hostil rompeu novamente a linha de contenção em frente ao Congresso Nacional, consequentemente, o Patamo Alfa e Bravo começaram a atuar e confrontar os manifestantes, utilizando-se de lançamento de agentes químicos e munições de elastômero”, afirma o relatório.

O documento também mostra que a tropa de choque tentou impedir que os manifestantes invadissem o prédio do STF, mas durante a tentativa acabou a munição química e de borracha da equipe.

A tropa então tentou se reagrupar, o que fez com que os golpistas tomassem o prédio.“Com o estoque de munição química praticamente zerado, foi necessário reagrupar e aguardar a reposição pela reserva móvel na lateral direita do STF; momentos antes, a segurança interna e policiais federais já haviam recuado e o prédio havia sido invadido”, diz o relatório.

Blindado da tropa de choque quebrou durante manifestação

Um veículo blindado da tropa de Choque, conhecido como Centurion, apresentou problemas mecânicos durante a depredação da sede dos três poderes no dia 8 de janeiro. O veículo custou R$ 1,6 milhão. Ele foi equipado com um jato de água usado pela polícia no controle de grandes manifestações.

“Durante a atuação, por volta das 15h40, o veículo Centurion II apresentou problemas mecânicos e precisou ser retirado do local de ação”, afirma o relatório.

O governo do Distrito Federal comprou dois blindados Centurion, em 2013, para a tropa de Choque da PM. O veículo também possui câmeras de alta precisão, com capacidade de identificar rostos e placas de carro em um raio de mais de 300 metros.

Mais R$ 800 mil gastos em materiais

O relatório também mostra que a tropa de choque da PMDF gastou R$ 805.083,12 em materiais químicos e munição de borracha para tentar conter os manifestantes.

Chama atenção a quantidade de munição de borracha (3.659), com o valor de R$ 132.504,12 e de granadas de diversos tipos, como efeito moral e lacrimogênia (412), no total de R$ 159.196,07. O item mais caro da lista foi “Cartucho Cal. 37/40mm com carga múltipla de emissão lacrimogênea, com alcance de 140 metros”.

Foram utilizados 603 com o valor total de R$ 239.686,47.Segundo o relatório, o dia 8 de janeiro foi o evento que mais demandou materiais por parte da tropa de choque.

No documento, há uma comparação com a manifestação realizada no dia 24 de maio de 2017, quando centrais sindicais convocaram um ato contra o presidente da época, Michel Temer, que se transformou em quebra-quebra e depredação em prédios de ministérios, além de confrontos entre manifestantes e policiais.

De acordo com o documento, na manifestação de 2017, a tropa de choque gastou 900 munições de borracha. No dia 8 de janeiro, foi necessário utilizar quatro vezes mais munições de borracha.

O documento também aponta que foi necessário a utilização da van e do helicóptero da PMDF para reabastecer granadas e munições das tropas durante a depredação da sede dos três poderes.

“A van com instrumentos de menor potencial ofensivo utilizada como reserva técnica realizou 3 (três) viagens para reabastecimento da tropa, assim como a aeronave do BAVOP também realizou 3 viagens (três) para buscar munições”, afirma o relatório.

 

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