Trump declara apoio a Netanyahu nas eleições de Israel e chama premiê de parceiro pela paz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou neste domingo (18) apoio ao primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, nas eleições parlamentares do país, que ocorrem no fim deste mês.
“Bibi Netanyahu tem sido forte, corajoso e brilhante diante de uma oposição tremenda, inclusive a que vem até mesmo de dentro de Israel. Apesar de tudo isso, ele resistiu e, na verdade, prosperou”, escreveu Trump na rede Truth Social, referindo-se ao premiê israelense pelo apelido.
O presidente americano chamou o premiê israelense de “guerreiro” e “parceiro pela paz” e destacou a aliança entre Washington e Tel Aviv na guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro com os ataques que mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano.
“Esse é o tipo de parceiro que os EUA exigem de Israel, um país pelo qual fizeram tanto. Que esta carta sirva para expressar meu apoio completo e total a Bibi Netanyahu em sua próxima disputa pela reeleição como primeiro-ministro de Israel”, acrescentou Trump. Netanyahu agradeceu ao americano em post no X.
Em 27 de outubro, Israel terá eleições pela primeira vez desde o início do conflito com o grupo terrorista Hamas, em 7 de outubro de 2023. O primeiro-ministro é escolhido a partir da formação de uma coalizão no Parlamento, como líder de partidos ou blocos que consigam atingir alguma governabilidade.
A eleição determinará se Netanyahu —o premiê mais longevo da história de Israel e líder do governo mais à direita já formado no país— permanecerá no poder após um período marcado por ataques contra a Faixa de Gaza, o Líbano e o Irã ou se será derrotado por rivais centristas que prometem inaugurar uma nova era.
Não há garantia de que a declaração de Trump impulsione Bibi e sua sigla, o Likud, uma vez que o apoio da opinião pública israelense ao mandatário americano diminuiu diante das divergências entre Tel Aviv e Washington sobre Teerã.
Pesquisas recentes indicam que nem a coalizão de Netanyahu nem o bloco de oposição alcançarão as 61 cadeiras necessárias para obter maioria parlamentar, o que significa que os partidos árabes de Israel, minoritários, poderão desempenhar um papel crucial para determinar se alguém conseguirá formar um governo.
No fim de setembro, o Comitê Central de Eleições de Israel votou pelo impedimento de todos os principais partidos árabes de participar das eleições. A decisão foi derrubada poucos dias depois pela Suprema Corte do país.
Em uma eleição tão acirrada, o apoio de Trump a Netanyahu “não poderia prejudicá-lo e talvez até ajude”, disse Aaron David Miller, analista do Carnegie Endowment for International Peace, think tank de Washington.
O presidente americano deixou passar oportunidades anteriores de apoiar Netanyahu, talvez porque quisesse avaliar que poder de pressão poderia exercer em questões como Gaza ou Líbano, segundo Miller. No fim, afirmou o analista, Trump ficou ao lado de um líder que considera forte e injustamente perseguido.
“Por mais irritado que Trump possa estar com Netanyahu por pressionar por esta guerra contra o Irã, no fim das contas esta foi uma decisão de Trump”, acrescentou Miller.
Uma decisão de Trump de não apoiar Netanyahu teria levantado “questões legítimas sobre se toda a empreitada no Irã foi, de fato, algo que Trump deveria ter realizado”, afirmou.


