Votação na Europa define novo desenho das notas de euro

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por Folhapress

Nota de 5 euros apresenta o número 5 em destaque, bandeira da União Europeia e texto em várias línguas. À direita, retrato em preto e branco da cantora Maria Callas com colar de pérolas.
Proposta de desenho para a nova nota de € 5, com a imagem da soprano Maria Callas; enquete definirá a proposta vencedora até o fim de 2026 – Reprodução Banco Central Europeu

Talvez soe familiar a olhos brasileiros notas com figuras históricas ou passarinhos. Pois será com um ou com outro que o jovem euro se vestirá até o fim deste ano, na primeira mudança de design do papel-moeda da União Europeia.

Moeda estável e prestes a ganhar uma versão digital, o euro completará 25 anos de circulação física em 2027. Nesse meio tempo, a única mudança nas cédulas foi um facelift em 2013.

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Enquete promovida pelo Banco Central Europeu (BCE) está no ar desde a semana passada, pedindo que a população expresse suas preferências entre dez desenhos finalistas. As opções apresentadas materializam o resultado de uma ampla pesquisa de opinião conduzida nos 21 dos 27 países do bloco que adotam a moeda comum.

Entre mais de 1.200 sugestões, a consulta popular fez prevalecer motivos tradicionais para o gênero: de um lado personalidades que refletem a cultura europeia e a busca pelo conhecimento; do outro, a preocupação ambiental, refletida na biodiversidade do continente.

Em diferentes formatos estão lá a soprano Maria Callas (€ 5), o compositor Ludwig van Beethoven (€ 10), a cientista Marie Curie (€ 20), o escritor Miguel de Cervantes (€ 50), o quase tudo Leonardo da Vinci (€ 100) e Bertha von Suttner (€ 200), a primeira mulher a receber o Nobel da Paz.

Os versos das notas trazem referências às áreas de cada personagem histórico, enquanto na família de passarinhos a composição é feita com prédios que simbolizam as instituições europeias, uma mistura peculiar, que, para muitos, soa como falta de ideia.

Nota de 5 euros com desenho estilizado de pombo em voo no centro. Elementos de segurança visíveis incluem faixa holográfica vermelha, microtextos e marca d'água. Símbolos da União Europeia e valor numérico aparecem nas bordas.
Proposta para nova nota de € 5, que destaca pássaros europeus; enquete definirá novo desenho das cédulas até o fim de 2026 – Reprodução Banco Central Europeu

Das dez famílias finalistas, três apresentam desenhos verticais, “o novo formato de tudo”, segundo análise publicada pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung. O jornal econômico alemão lembra dos cartões de crédito que já adotam tal visual e especula se a tendência não é uma imposição da geometria limitada dos smartphones.

Para o também alemão Die Zeit, a enquete do ECB é mais um exemplo de pesquisa manipulada, em que a oferta de opções já determina o resultado. Escolher de verdade seria discutir se Mozart não deveria vir antes de Beethoven, argumenta o crítico do semanário.

Já a revista Economist escolheu sua família preferida en tre as inúmeras postagens que o assunto provoca nas redes sociais: os premiês britânicos desde o brexit.

Há quem faça piada com cenas cotidianas europeias: barreiras abandonadas na fronteira, a tampa que não se solta do gargalo da garrafa de plástico e o aviso de “volto em setembro”, placa pendurada em boa parte das portas do comércio no continente durante o verão.

Uma postagem polêmica foi feita pelo ministério da Defesa de Luxemburgo, que provocou o público com uma família de cédulas ilustradas com blindados e armamentos. Uma reflexão forçada para o continente que, acossado pela guerra da Ucrânia e pelo mais inconfiável presidente americano da história, experimenta neste momento uma corrida armamentista.

Além dos motivos técnicos, como coibir falsificações e facilitar a utilização, o BCE lista entre as necessidades de mudança do euro “reforçar o vínculo dos europeus com a sua moeda”.

“Após 20 anos, chegou o momento de rever o desenho das nossas notas, de modo a terem um maior significado para europeus de todas as idades e origens”, afirma a presidente da instituição, Christine Lagarde, na apresentação da enquete.

Curiosamente, o desenho atual do euro já é carregado de significados, em uma linguagem que provavelmente passa batido pela maioria das pessoas que usam as notas no dia a dia.

Todas apresentam uma janela ou uma porta em uma das faces, símbolos do “espírito europeu de abertura e cooperação”, segundo o BCE, e no verso pontes, que representam “a comunicação entre os povos da Europa e o resto do mundo”.

Foi evitado o desenho de estruturas existentes, que provavelmente gerariam disputa entre os países-membros —diferentemente das moedas, que trazem motivos locais, as cédulas são padronizadas em todo o bloco.

A representação dos ideais europeus, tão desgastados nos dias atuais, curiosamente sobreviverá à troca das notas, que levará anos. Uma cidade na Holanda, Spijkenisse, reivindicou para si a tarefa de tornar os desenhos realidade. Em 2013, ergueu em um condomínio sete pontes que reproduzem à perfeição os desenhos dos euros atuais.

A ver se resistirão mais do que sua inspiração.

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