“Vou atacar uma escola”, avisou atirador do Texas pelo Facebook

Salvador Ramos. Foto: Reprodução

O autor do massacre que terminou com 19 crianças e dois professores mortos em uma escola na cidade de Uvalde, no Texas, avisou no Facebook o que faria. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (25/5) pelo governador do estado, Greg Abbott, do Partido Republicano. Outras 17 pessoas ficaram feridas, mas não correm risco de morrer.

O atirador relatou pela rede social que iria atirar na sua avó, cerca de 30 minutos antes de ir ao local, e logo depois confirmou o ataque. Depois, escreveu em um terceiro post que iria atacar uma escola: “Vou abrir fogo em uma escola primária”.

Apesar de ser atingida no rosto, a avó do atirador sobreviveu e chamou a polícia.

Imediatamente após a fala do governador, o Facebook explicou que o assassino publicou os avisos no aplicativo de mensagens privadas da rede e que as mensagens só foram descobertas após o tiroteio.

O ataque na Robb Elementary School, no Texas, é o mais recente de uma série de chacinas que vem abalando o país e causou a maior quantidade de mortes em uma escola em mais de 10 anos.

Robb Elementary School Texas
Robb Elementary School, Texas
Salvador Ramos
Atirador abriu fogo contra escola de ensino fundamental
Ramos compartilhou fotos nas redes sociais de armas. Sua conta foi retirada logo após o governador Greg Abbott confirmar seu nome
Atirador compartilhou fotos de armas nas redes sociais. A conta dele foi retirada do ar logo após o governador Greg Abbott confirmar seu nome

O caso

Identificado como Salvador Ramos, 18, o autor do tiroteio era um estudante do ensino médio e fugiu da casa onde vivia com os avós. Pessoas próximas ao atirador confirmaram à imprensa local que ele sofria bullying durante a adolescência e tinha problemas familiares. Na escola, ele era alvo de provocações por ser gago.

Segundo o governador do estado, Ramos entrou na escola por uma porta dos fundos carregando um fuzil de assalto AR-15, percorreu dois corredores curtos e em seguida entrou em uma sala de aulas do lado esquerdo. Abbott acrescentou também que os posts no Facebook foram os únicos alertas antes do massacre e que Ramos não parecia ter ficha criminal ou histórico de problemas de saúde mental.

As autoridades afirmam que ele obstruiu uma sala de aula da quarta série, onde assassinou as crianças e os professores antes de ser morto por um oficial da Patrulha de Fronteira do EUA.

O atirador comprou dois fuzis AR-15 e 375 cartuchos de munição dias antes do ataque, poucos dias após completar 18 anos, segundo vários veículos de imprensa estadunidenses, citando um senador do Texas que recebeu informações da polícia. Na hora do ataque, ele deixou um dos fuzis no carro.

Durante a coletiva, Abbott foi confrontado pelo ex-congressista democrata Beto O’Rourke, que será rival do governador nas próximas eleições e o acusou de fracassar em lidar com a crescente violência armada. O’Rourke interrompeu a coletiva aos gritos e disse que o governador e outros políticos do Partido Republicano não estão contribuindo em nada para resolver o problema.

Problema nacional

Segundo o diretor executivo do Instituto Global Attitude, Rodrigo Reis, essa cultura armamentista norte-americana é antiga. “A Segunda Emenda americana fala do direito de um cidadão portar armas. Então, com base nessa lei, nessa cláusula pétrea que faz parte da Constituição, existe uma indústria muito forte das grandes manufaturadoras de armamentos, das grandes empresas e fabricantes, que fazem um lobby gigante e se concentram na Associação Nacional de Rifles”, explica.

Em um discurso na noite de terça, o presidente Joe Biden pediu novas restrições para as armas.

“Os fabricantes de armas passaram duas décadas vendendo agressivamente armas de assalto, o que lhes deu um enorme lucro”, disse Biden. “Temos que nos perguntar: quando vamos enfrentar o lobby das armas? Pelo amor de Deus, temos que ter a coragem de enfrentar a indústria.”

Nesta quarta-feira (25/5), a Associação Nacional do Rifle, o lobby pró-armas mais poderoso dos EUA, culpou um “criminoso solitário e transtornado” pelo massacre.

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