Queijo de leite de cabra leva produtor da Paraíba ao destaque nacional após medalha de ouro
por TH+ SBT

De uma estreia sem troféus a quatro premiações em três participações. A trajetória do produtor Renato Brito, de São João do Cariri, ganhou novo destaque nacional após ser escolhida para abrir a série ExpoQueijo Transforma, que apresenta histórias de produtores artesanais impactados pela participação na ExpoQueijo Brasil.
A conquista mais recente veio em 2026, quando o Queijo Aventureiro, produzido com leite de cabra no Cariri paraibano, recebeu medalha de ouro na ExpoQueijo Brasil, realizada em Araxá, Minas Gerais. O produto tem maturação de 30 a 40 dias e desenvolve uma coloração azulada característica durante o processo.
Mais do que uma premiação individual, a história ajuda a mostrar como a transformação do leite em produtos artesanais de maior valor agregado pode abrir novos mercados para pequenos produtores de uma região onde a caprinocultura tem peso econômico e social significativo.
De uma estreia sem prêmio a quatro troféus
Renato participou da ExpoQueijo Brasil pela primeira vez em 2022. Naquela edição, voltou para a Paraíba sem premiações.
O primeiro troféu veio no ano seguinte, com o queijo Macambira. Depois de não participar da edição de 2024, o produtor retornou em 2025 e conquistou duas novas premiações: bronze com o Queijo do Reino e ouro com o Bussan.
Em 2026, veio o quarto troféu: o ouro do Aventureiro.
A sequência de resultados levou a história do produtor para a série ExpoQueijo Transforma, divulgada pelo próprio evento para apresentar casos de pequenos queijeiros e os efeitos das competições sobre a comercialização e visibilidade dos produtos.
Queijo Aventureiro nasceu de uma provocação
O próprio nome do queijo premiado carrega uma história.
Segundo relato divulgado pelo MilkPoint, o Aventureiro surgiu depois que, durante uma competição em 2024, produtores paraibanos foram chamados de “aventureiros” por outro participante, em uma crítica à produção de queijos do estado.
Renato aproveitou a expressão para batizar um novo produto. Antes de conquistar o ouro em Araxá neste ano, o Aventureiro já havia recebido uma medalha de prata em São Paulo.
O queijo é produzido na Capril Encanto da Macambira, em São João do Cariri, e utiliza leite de cabra.
Durante a maturação, que dura entre 30 e 40 dias, desenvolve na superfície o chamado mofo azul. Segundo o produtor, as características do queijo estão relacionadas ao método de fabricação, à alimentação dos animais e às condições ambientais do Cariri.
Caprinocultura movimenta o Cariri paraibano
A atividade que sustenta produtos como o Aventureiro está presente de forma expressiva na economia rural paraibana.
Dados mais recentes da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, mostram que a Paraíba possuía 858.137 caprinos em 2025. O número vem crescendo: eram 764.758 animais em 2021, o que representa aumento de aproximadamente 12% em quatro anos.
São João do Cariri, onde funciona a propriedade de Renato, tinha 16.938 cabeças de caprinos em 2025.
A relevância da atividade no município ajuda a explicar por que a produção artesanal de derivados de leite de cabra passou a representar uma alternativa de renda que vai além da comercialização do produto in natura.
Ao transformar o leite em queijos maturados e produtos diferenciados, produtores conseguem buscar mercados com maior valor agregado, participar de concursos especializados e incorporar a produção à gastronomia e ao turismo rural.
Premiação pode aumentar valor do produto
O próprio Renato afirma que os concursos funcionam como uma vitrine para pequenos produtores.
Segundo ele, uma medalha em uma competição especializada pode agregar valor comercial ao queijo e ampliar a exposição do município e da comunidade onde ele é produzido.
A ExpoQueijo Brasil reúne produtos brasileiros e estrangeiros e se tornou um dos eventos utilizados pelo setor para avaliação e divulgação de queijos artesanais.
O resultado obtido pelo Aventureiro também se soma a outras premiações recentes de produtos paraibanos. Na edição de 2026, o Laticínio Ilpla, de Belém, conquistou medalhas de prata com Queijo de Manteiga e Ricota.
No caso de Renato Brito, a evolução entre a participação sem medalhas de 2022 e os quatro troféus acumulados desde então é agora usada pela organização da ExpoQueijo como exemplo dos efeitos que reconhecimento, qualificação e acesso a novos mercados podem produzir sobre pequenos negócios rurais.


