Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro

0

por coluna Mônica Bergamo, Folhapress

Homem calvo veste camisa branca e blazer escuro, olhando para a direita. Fundo com armários metálicos cinza desfocados.
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, aguarda na fila para votar no Colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano, zona oeste de São Paulo, durante as eleições – Allison Sales/Folhapress

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) defendem que o ministro Alexandre de Moraes paute a ação que prevê a redução da pena de Jair Bolsonaro para ser julgada o mais breve possível pelo plenário da Corte.

Caso aprovada definitivamente pelo tribunal, que analisará sua constitucionalidade, o tempo de prisão de Bolsonaro em regime fechado despencaria de sete anos para cerca de 2 anos e 3 meses, de acordo com o cálculo de juízes e advogados.

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow

Como ele já cumpriu quase um ano da pena em regime fechado, poderia ser libertado no fim de 2027 e seguiria cumprindo pena em regime semiaberto e, depois, aberto.

Seguiria, no entanto, inelegível.

De acordo com três magistrados ouvidos pela coluna, a iniciativa do STF serviria para diminuir a tensão com o novo Senado, que a partir do próximo ano terá ampla maioria bolsonarista: pelo menos 49 parlamentares defendem claramente o impeachment de ministros do Supremo.

A aplicação de novas regras de cumprimento da pena definiria um horizonte para o fim da prisão de Bolsonaro em regime fechado e, por outro lado, esvaziaria propostas que preveem anistia para os crimes que ele cometeu.

O STF já decidiu, em votações anteriores, que crimes contra a democracia não podem ser anistiados.

A redução da pena diminuiria também a pressão sobre o STF para que rapidamente avançasse com a revisão criminal pedida por Bolsonaro. Nela, todo o processo seria revisto para a correção de eventuais ilegalidades e até mesmo anulação da condenação.

Magistrados do STF ouvidos pela coluna dizem que o tema deve ser enfrentado definitivamente já que a chamada Lei da Dosimetria (Lei 15.402/2026) foi aprovada em dezembro de 2025 pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, com aval do próprio STF.

Em abril, os parlamentares derrubaram os vetos de Lula à lei e ela poderia ter entrado em vigor, mas até hoje não foi aplicada.

Isso ocorreu porque, em maio, ela foi suspensa por Alexandre de Moraes sob o argumento de que o plenário do STF deveria julgar o mérito das ações de inconstitucionalidade que questionam a nova norma antes que ela de fato passasse a ser considerada para a redução das penas.

O ministro, no entanto, deixou o assunto até agora na gaveta. E será pressionado por ministros para dela retirá-lo, levando o tema à votação.

Senadores rejeitam anistia a Bolsonaro até que STF decida sobre redução de penas

Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, senadores da oposição e até do centrão afirmam que não votarão a medida enquanto o STF (Supremo Tribunal Federal) não decidir sobre a dosimetria já aprovada pelo Congresso Nacional.

O projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro foi aprovado, mas teve a aplicação suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes.

Na época, o magistrado afirmou que só aplicaria a lei após o Supremo se debruçar sobre duas ações que questionam a validade do texto. Só que as ações estão sob relatoria de Moraes e paradas sobre a mesa do ministro desde o dia 8 de julho.

Parlamentares do centrão afirmam, sob reserva, que o Congresso já fez sua parte e cabe, agora, ao STF fazer a parte dele. E, portanto, não defendem uma nova anistia concedida pelo Legislativo.

Como mostrou a Folha, Alcolumbre articula o benefício ao ex-presidente de olho na reeleição à presidência da Casa, mas parlamentares da oposição rechaçam a ideia e dizem que a medida não é suficiente para apoiá-lo.

Partidos como o MDB e PSD se dividem em relação à medida, mas cobram uma resposta do STF antes de o Senado, eventualmente, discutir o assunto.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow