Batalha do Beco recebe Vulto MC e DJ Black neste sábado, no Centro Histórico de João Pessoa
A cultura hip hop ocupa a Praça Rio Branco, no Centro Histórico de João Pessoa, neste sábado (8), com a Batalha do Beco, que recebe apresentações de Vulto MC e DJ Black a partir das 18h. A programação é realizada pelo Coletivo Batalha do Beco e conta com o apoio da Prefeitura de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope).


“Nós acolhemos o projeto da Batalha do Beco para ser realizado ali na Praça Rio Branco após o circuito do Sabadinho Bom e da roda de samba. Tanto eu como o prefeito Leo Bezerra entendemos que esta é uma forma de incluirmos os jovens no nosso processo de ativação do Centro Histórico”, disse o diretor executivo da Funjope, Marcus Alves.
Ele ressaltou que esses jovens poetas e músicos do hip hop têm uma militância e uma atuação muito decisiva em todo o Centro Histórico. “É um território propício à juventude. Estamos, a cada dia, a cada semana, dando mais um passo no sentido de fortalecer a nossa presença ativa na ocupação do Centro Histórico que é nossa identidade, nossas origens. As origens de João Pessoa passam pelo Centro Histórico”.
Além das apresentações musicais, a Batalha do Beco promove o encontro de diferentes expressões da produção cultural periférica. Para o organizador do Coletivo Batalha do Beco, Erick Johnson, conhecido como ASEC MC, o apoio representa um avanço para o movimento hip hop e para os artistas que atuam fora do circuito tradicional de eventos culturais. Com 18 anos de trajetória no hip hop, ele destaca que a iniciativa reconhece uma mobilização que vem sendo construída há mais de uma década.
“Esse apoio é um marco histórico para a cultura hip hop e para as manifestações periféricas de João Pessoa. Pela primeira vez, as batalhas de rima e a cultura hip hop recebem acolhimento institucional estruturado por parte do poder público. Esse gesto representa o reconhecimento de mais de uma década de resistência cultural nas periferias da nossa cidade”, pontuou.
Segundo Erick Johnson, outro avanço é a regularidade da programação. “A integração da Batalha do Beco à programação semanal, após o Sabadinho Bom, garante a periodicidade que sempre foi a maior dificuldade do coletivo. Isso consolida a Batalha como uma manifestação cultural estável e acessível ao público”, afirmou.


História e resistência – A Batalha do Beco surgiu por volta de 2013, no Beco da Cachaçaria Philipeia, no Centro Histórico de João Pessoa. Desde então, tornou-se um espaço de encontro e expressão para MCs, DJs, B-boys, B-girls, grafiteiros, poetas e outros artistas ligados à cultura hip hop. Ao longo dos anos, o movimento se consolidou como espaço de expressão artística, pertencimento e formação. Além das batalhas de rima, a programação pode reunir saraus poéticos, rodas de breaking, intervenções de grafite e outras manifestações.
A iniciativa – conforme Erick Johnson – também contribui para o protagonismo de jovens que encontram no movimento uma oportunidade de apresentar sua produção artística e ocupar espaços culturais. “Muitos jovens encontram na Batalha seu primeiro palco, a primeira oportunidade de serem ouvidos e respeitados”, destacou.
O organizador também ressaltou a contribuição do coletivo para a preservação e difusão da cultura hip hop, reunindo elementos como MC, DJ, breaking, grafite e conhecimento. Ele enfatizou que o que começou com uma estrutura mantida pelos próprios integrantes do coletivo passou, ao longo dos anos, a envolver uma articulação mais ampla, reunindo iniciativas como a Batalha da BR e a Batalha da Lagoa, além de artistas e produtores culturais.
Novas possibilidades – Com o apoio da Prefeitura de João Pessoa, a Batalha do Beco passa a ter espaço permanente na Praça Rio Branco e a estrutura também poderá ser utilizada para outras manifestações culturais, como pocket shows e slams.
“A ideia é utilizar a estrutura física para articular e expandir o acesso a diversas expressões das culturas periféricas, democratizando o espaço e ampliando oportunidades para agentes culturais que historicamente ficam fora do circuito dos grandes editais. É uma vitória não só da Batalha do Beco, mas de toda a cena cultural periférica de João Pessoa”, afirmou Erick Johnson.
O organizador lembrou que a construção da parceria com o poder público envolveu reuniões com o prefeito Leo Bezerra e o diretor da Funjope, Marcus Alves, além da intermediação da Secretaria Nacional de Periferias. O processo, segundo ele, representa uma aproximação entre os movimentos culturais e o poder público para a construção de políticas voltadas à produção cultural das periferias.
Texto: Lucilene Meireles
Edição: Cristina Cavalcante
Fotografia: Dêclic fotografia e Plugmeta


