Senado dos EUA confirma Daniel Perez para embaixada no Brasil em meio a crise com governo Lula

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Indicado do governo Trump para se tornar o novo embaixador do Brasil, Daniel Perez em sessão da Câmara da Flórida em janeiro de 2026 - Meredith Geddings - 13.jan.26/Câmara dos Representantes da Flórida

por Folhapress

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a nomeação de Daniel Perez para se tornar o novo embaixador americano no Brasil. Em votação apertada, com 51 votos favoráveis e 47 contrários, o cubano-americano foi confirmado pelo plenário da Casa em um pacote que reuniu outras 73 indicações para cargos diplomáticos e no governo.

Com a aprovação, que aconteceu horas antes do recesso parlamentar de cinco semanas, Perez conclui a etapa legislativa de sua indicação e está apto a assumir o posto. Antes, porém, ainda depende da concessão do agrément pelo governo brasileiro —a autorização diplomática por meio da qual um país aceita formalmente o chefe de missão indicado por outro Estado.

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Caso receba o aval de Brasília, Perez passará a ocupar um cargo que está vago desde janeiro do ano passado, quando Donald Trump iniciou o seu segundo mandato. Nesse ínterim, a embaixada dos EUA no Brasil é comandada pelo encarregado de negócios.

Integrantes do governo Lula, porém, já indicaram que não pretendem conceder o agrément a novos embaixadores antes do fim das eleições presidenciais de outubro.

A indicação de Perez se transformou no principal foco da mais recente crise diplomática entre Brasil e EUA. A Casa Branca acusa Brasília de atrasar de forma deliberada a concessão do agrément e afirma que deu ao governo Lula “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, mas que encontrou sucessivos adiamentos e obstáculos.

Como resposta, Washington anunciou nesta semana a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti. O Departamento de Estado classificou a decisão como uma medida recíproca e afirmou que a diplomata continuará reconhecida como representante oficial do Brasil.

Na prática, Viotti poderá permanecer em Washington e continuar exercendo suas funções, mas, caso deixe o território americano, precisará solicitar um novo visto para retornar.

Políticos americanos criticaram a medida. A senadora democrata Jeanne Shaheen, vice-líder do comitê de Relações Exteriores do Senado, escreveu em publicação nas redes sociais que o ato contraria os interesses dos EUA e prejudica a relação bilateral.

“Nada representa melhor o avanço dos interesses dos EUA do que revogar o visto da principal diplomata de um de nossos parceiros”, publicou, de maneira irônica. “Mais uma vez, este governo desperdiçou a diplomacia em prejuízo dos povos americano e brasileiro.”

Apesar da crítica, Shaheen e Tim Kaine, também senador democrata, votaram para aprovar Perez. A justificativa por parte de Kaine, em entrevista à Folha, é decorrente do longo tempo que a vaga de embaixador está vazia no Brasil. Para ele, é melhor que o país tenha um representante, mesmo que seja um indicado do partido opositor, do que o contrário.

A justificativa do lado brasileiro para a não concessão do aval está relacionada ao fato de o pedido ter rompido o rito diplomático tradicional. Em geral, o nome de um embaixador só é anunciado ao público depois que o país anfitrião concede o agrément, rito sigiloso.

No caso de Perez, o governo Trump anunciou a indicação antes de receber a autorização brasileira, tornando o processo um elemento adicional da tensão entre os países.

De forma reservada, interlocutores do governo Lula afirmam que havia preocupação de que a indicação de Perez pudesse ser utilizada para ampliar a pressão americana sobre o processo eleitoral brasileiro. Por esse motivo, segundo esses relatos, Brasília já indicava que não analisaria o pedido no ritmo esperado por Washington.

Os mesmos interlocutores afirmam que a embaixadora Maria Luiza Viotti foi alertada por integrantes do Departamento de Estado de que alguma forma de retaliação poderia ser adotada caso o impasse persistisse.

Apesar da medida anunciada pelos EUA, a avaliação no Palácio do Planalto é de que não há, neste momento, motivo para retirar Viotti de Washington ou responder com novas ações diplomáticas. Integrantes do governo defendem que a embaixadora permaneça no cargo e avaliam que uma reação precipitada poderia ampliar a crise ou oferecer novos argumentos ao governo Trump.

Na quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão americana durante entrevista aos canais do YouTube Meteoro Brasil e Os Três Elementos. O petista lembrou que Trump permaneceu mais de um ano sem indicar um embaixador para o Brasil e afirmou que, posteriormente, passou a pressionar Brasília para aceitar de forma rápida o nome escolhido por sua administração.

Lula classificou a restrição ao visto da embaixadora brasileira como uma atitude irresponsável e impensada. Também afirmou que pretende deixar a análise de novos embaixadores estrangeiros para depois das eleições presidenciais de outubro, posição que, na prática, mantém indefinido o futuro de Daniel Perez.

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