“Bolsa farelo”: O que Flávio e Jair Bolsonaro diziam sobre o Bolsa Família
por Revista Fórum

O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse na quinta-feira (17) que não concordava com a ação judicial movida pelo deputado federal de seu partido, Zé Trovão (SC), para suspender o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ação foi extinta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, após considerar que o parlamentar não tinha legitimidade para propor a iniciativa.
Flávio busca se distanciar de qualquer medida que possa sugerir que ele seja contra o benefício criado pelo presidente Lula em seu primeiro mandato, no ano de 2003. Contudo, a posição do parlamentar nem sempre foi essa.
Em junho de 2013, Flávio qualificou o Bolsa Família como “bolsa-farelo”. “O PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência pra não perder seus votos!”, afirmou.

À época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro, foi o único membro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que votou contra o projeto de lei que criou o programa Renda Melhor, uma espécie de Bolsa Família fluminense, como lembra matéria do Estadão Conteúdo. “Fui o único voto contra na Alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, que (sic) chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral”, escreveu Flávio no então Twitter, em novembro de 2011.
Bolsa Família e o DNA bolsonarista
As declarações de Flávio à época ecoavam as posições do pai, o deputado federal Jair Bolsonaro. Em 2010, em seu penúltimo mandato como deputado, o futuro presidente cunhou a expressão “Bolsa Farelo”.
“Se, hoje em dia, eu der R$ 10 para alguém e for acusado de que esses R$ 10 seriam para a compra de voto, eu serei cassado. Agora, o governo federal dá para 12 milhões de famílias em torno de R$ 500 por mês, a título de Bolsa Família definitivo, e sai na frente com 30 milhões de votos. Disputar eleições num cenário desses é desanimador, é compra de votos mesmo”, afirmou o parlamentar, em outra postagem publicada em agosto de 2010.
Bolsonaro foi além: “Cada vez mais, pobres coitados, ignorantes, ao receberem bolsa família, tornam-se eleitores de cabresto do PT”, pontuou.
Já em 2014, ele criticou um reajuste dado pela presidenta Dilma Rousseff. Como mandatário, Bolsonaro promoveu um aumento de 50% no chamado Auxílio Brasil, que havia substituído o Bolsa Família em sua gestão, feito às vésperas do processo eleitoral e válido apenas até o fim do seu mandato.
“São inúmeros os absurdos que envolvem esse programa social, a começar por seus principais propósitos: a compra do voto, o controle dos mais fracos e o disfarce do alto índice de desemprego. Uma prova dessa estratégia foi o aumento de 10% no Bolsa Família anunciado recentemente por Dilma Rousseff, tentando claramente reverter sua queda nas principais pesquisas de intenção de voto para presidente”, falou na ocasião.
Já em um evento como pré-candidato, em 2017, o pai de Flávio voltou à carga contra o benefício. “Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para a demagogia e agradar quem quer que seja para buscar voto.” Já na campanha oficial do ano seguinte, começou a mudar de posição.


