Rússia relata ataques ao sistema de votação no segundo dia de eleições parlamentares

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por Reuters

Dois murais grandes retratam militares russos em uniformes decorados em fachadas de prédios residenciais altos. Entre eles, outdoor azul exibe três homens em trajes formais com texto em russo, promovendo unidade política. Céu nublado e vegetação completam o cenário urbano.
Outdoor de propaganda política do partido Rússia Unida, pró-Vladimir Putin, na Crimeia, região anexada à Rússia em 2014 – Alexey Pavlishak – 15.set.26/Reuters

As autoridades da Rússia relataram ataques a sistemas de votação e de comunicação em todo o país neste sábado (19), no segundo dia das eleições parlamentares que o Kremlin trata como teste do apoio popular à guerra na Ucrânia.

Trata-se da primeira eleição para a Duma Estatal —órgão equivalente à Câmara dos Deputados— desde que Moscou iniciou o conflito contra Kiev, em fevereiro de 2022. A expectativa é de que o pleito mantenha o domínio do partido governista Rússia Unida, do presidente russo, Vladimir Putin.

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A maioria dos candidatos contrários à guerra foi excluída das cédulas antes do início da votação nos 11 fusos horários da Rússia devido a uma decisão da Suprema Corte, segundo a qual o partido liberal Iabloko —que defende um cessar-fogo na Ucrânia— teria violado as regras eleitorais, acusação que a legenda nega. Tradicionalmente, a organização registra índices de votação de apenas um dígito.

As autoridades afirmaram que, apesar do forte ataque contra o sistema de votação online durante a noite, a situação estava sob controle. A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, disse à imprensa estatal que a ofensiva continuava, mas que estava sendo repelida com sucesso.

O Ministério do Desenvolvimento Digital da Rússia afirmou à mídia estatal que registrou uma tentativa de sabotagem contra linhas de comunicação no Extremo Oriente do país, mas que o ataque foi frustrado e que todas as comunicações foram restabelecidas. Antes, sem apresentar provas, Putin acusou a Ucrânia de tentar interferir na votação.

Na região separatista pró-Rússia da Transnístria, na Moldávia, a eleição provocou uma disputa diplomática devido às objeções do governo moldavo ao plano do Kremlin de abrir 15 seções eleitorais para cidadãos russos no território.

Moscou afirma que os 220 mil moradores da Transnístria, uma estreita faixa de terra que se separou da Moldávia em 1990, no fim do regime soviético, têm passaportes russos e direito a voto.

Segundo pesquisas independentes, o apoio da população russa à invasão da Ucrânia ainda é alto, mas é o menor desde o início da guerra em 2022. Candidatos do Iabloko e independentes podem disputar cadeiras isoladamente. Se houver votação expressiva neles, isso será visto como um recado para o governo. O pleito vai durar até este domingo (20).

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