Contas públicas têm déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho; ao incluir juros, rombo soma R$ 1,3 trilhão em doze meses
Por Alexandro Martello, g1

As contas do setor público consolidadas apresentaram um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (31).
🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário.
🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com junho do ano passado, houve piora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 47,1 bilhões naquele mês.
➡️Ao incluir no cálculo as despesas com juros, o rombo soma R$ 1,32 em doze meses até junho, ou 10% do PIB (veja mais abaixo nessa reportagem).
➡️A sucessão de déficits nos últimos anos, relacionados com a alta de gastos públicos, tem pressionado a dívida pública, que já subiu 10 pontos no atual governo Lula, o maior nível em mais de cinco anos.
Veja abaixo o desempenho das contas em junho deste ano:
- governo federal registrou saldo negativo de R$ 47,2 bilhões;
- estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 6,6 bilhões;
- empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,47 bilhão.
Parcial do ano
No acumulado do primeiro semestre deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 80,2 bilhões — o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo positivo de R$ 22 bilhões (0,35% do PIB).
Essa piora está relacionada, entre outros fatores, com a antecipação no pagamento de precatórios neste ano pela Secretaria do Tesouro Nacional.
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 93,4 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 12,3 bilhões nos seis primeiros meses de 2025.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
- De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
- Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
- O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
- Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 52 bilhões neste ano.
- Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 166 bilhões nas contas do setor público em junho.
➡️No acumulado em 12 meses até junho, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,32 trilhão, ou 10% do PIB.
🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
“O déficit nominal do setor público foi de R$ 1,3 trilhão em 12 meses até junho, 10% do PIB. Não ter urgência para resolver a raiz do problema da despesa da dívida só aumenta o custo do ajuste”, avaliou Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, em rede social.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano, patamar elevado.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,16 trilhão (8,8% do PIB) em doze meses até junho deste ano.


