Dino autoriza abertura do terceiro inquérito envolvendo Lulinha
Por Camila Bomfim, Isabela Camargo, Márcio Falcão, Mariana Laboissière, g1 e GloboNews

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A investigação foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e apura a atuação de um grupo de pessoas que teria mantido supostos negócios ilícitos em áreas do governo federal (entenda mais abaixo).
Lulinha já é alvo de outras duas investigações que tramitam no Supremo sobre suspeitas levantadas pela PF.
Além desse terceiro inquérito, na mesma ocasião, Dino autorizou uma quarta investigação a pedido da PF: sobre vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso.
O que diz a defesa
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou receber com tranquilidade a abertura do novo inquérito e disse confiar na condução do caso pelo ministro Flávio Dino.
Os advogados sustentam que vão aproveitar a investigação para esclarecer eventuais dúvidas sobre as atividades pessoais e profissionais de Lulinha e reiteram que ele não tem relação com irregularidades.
Ao mesmo tempo, a defesa cobra providências contra o que classifica como vazamentos seletivos e criminosos de informações da investigação e afirma que setores da Polícia Federal estariam sendo instrumentalizados por interesses político-eleitorais, embora reconheça os esforços da direção-geral da corporação para preservar sua autonomia e independência.
Segundo os advogados, Lulinha já demonstrou, em outras apurações, não ter participação direta ou indireta em ilícitos.
Outras investigações contra Lulinha
O novo inquérito é o terceiro pedido de investigação da Polícia Federal envolvendo Lulinha em menos de uma semana.
Em 30 de julho, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de uma investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde.
Segundo a PF, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria atuado em favor de interesses ligados ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
No dia seguinte, André Mendonça autorizou um segundo inquérito para apurar se Lulinha favoreceu empresários interessados em fechar negócios com a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência, a Dataprev, e outros órgãos do governo federal.
Nesse caso, a PF investiga suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações surgiram a partir de elementos colhidos na operação “Sem Desconto”, que apura fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A PF afirma que os novos inquéritos não tratam diretamente das fraudes nos benefícios, mas de eventuais atuações de Lulinha em favor de empresários e lobistas junto a áreas do governo federal.

Posição de Lula
Segundo o blog do Valdo Cruz, interlocutores do presidente afirmaram que o petista já tem o discurso pronto: não poupa ninguém que tenha culpa no cartório, nem mesmo seu filho.
A equipe de Lula diz ainda haver nenhum sinal de que Lulinha teria conseguido vantagens dentro do governo para beneficiar a amiga Roberta Luchsinger.
Os assessores reconhecem que o comando da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República irá explorar o tema, como já está fazendo, mas destacam que Lula já deu recado e seguirá na mesma linha durante todo o período eleitoral.


