Empresários doam a PL e PT ao mesmo tempo com repasses de R$ 5,6 milhões
Urna eletrônica está presente em todas as cidades do país nas eleições — Foto: Reprodução/TRE-RN
por Folhapress
Ao menos 24 empresários dos setores de calçados, biocombustíveis e bancário decidiram apoiar nomes do PL e do PT na campanha eleitoral deste ano. Os repasses a 46 políticos somam R$ 5,6 milhões.
Candidatos e diretórios da legenda do clã Bolsonaro (PL) receberam R$ 2,87 milhões, enquanto o partido do presidente Lula recebeu R$ 2,79 milhões destes doadores.
A soma dos valores repassados por quem escolheu financiar campanhas dos dois partidos é uma pequeníssima fração dos R$ 4,76 bilhões já arrecadados pelos candidatos. Cerca de 92% da verba, ou R$ 4,36 bilhões, vieram dos partidos políticos, que têm quase R$ 5 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como fundão eleitoral, neste ano.
Os dados foram extraídos pelo sistema Divulgacand, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Nessa intersecção de repasses simultâneos aos maiores partidos da esquerda e da direita, o principal financiador das campanhas é Pedro Grendene Bartelle. Cofundador e acionista da empresa de calçados Grendene, ele enviou R$ 1,3 milhão a candidatos do Ceará e Rio Grande do Sul, estados em que o grupo tem operações.
Grendene destinou R$ 1 milhão a Elmano de Freitas, candidato ao governo cearense pelo PT, além de R$ 100 mil para Jô Farias, que busca uma vaga de deputada estadual pelo mesmo estado e partido. Do lado do PL, repassou R$ 200 mil para Fabiano Feltrin, candidato a deputado estadual no RS.
Pedro Grendene também doou outro R$ 1 milhão a candidatos de outros partidos.
O empresário Erasmo Carlos Battistella, presidente da produtora de biodiesel Be8, é o único a doar para Lula e Flávio Bolsonaro. Ele repassou R$ 500 mil para cada candidato a presidente.
Em nota, Battistella disse que as doações “foram realizadas como pessoa física, dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral brasileira”. “O empresário reafirma o respeito ao trabalho da imprensa e seu compromisso com as melhores práticas de governança, integridade e transparência”, declarou.
Os candidatos de Minas Gerais são os que mais receberam doações duplas, totalizando R$ 2,6 milhões.
O empresário Sérgio Augusto Guerra de Resende, acionista da Localiza, destinou R$ 1,1 milhão a nomes do estado. Deste valor, R$ 600 mil foram divididos igualmente entre Flávio Roscoe, candidato a governador pelo PL, e Nikolas Ferreira, que tenta recondução a deputado federal pelo mesmo partido.
Resende ainda pagou R$ 500 mil ao Diretório Nacional do PT. O partido encaminhou R$ 200 mil a Reginaldo Lopes, candidato a deputado federal por MG, enquanto outros três concorrentes a deputado estadual receberam R$ 100 mil cada.
Em nota enviada pela sua assessoria, Resende afirma que a legislação brasileira “define as regras de participação eleitoral dos cidadãos por meio do voto e do apoio a partidos e ou candidatos”. Também diz que as doações foram feitas de forma transparente, seguindo “estritamente as normas vigentes”.
Os empresários Robert Carlos Lyra, presidente da Delta Sucroenergia, e Rodrigo Pizzinatto, CEO do Grupo Ultra, também doaram a Roscoe e Reginaldo.
No total, Lyra repassou cerca de R$ 975 mil a candidatos dos dois partidos, sendo R$ 770 mil para nomes do PL. Já Pizzinatto distribuiu R$ 170 mil, com R$ 150 mil para a legenda de Flávio Bolsonaro.
Pizzinatto disse, por meio de nota, que a democracia se fortalece com o apoio de maneira legal ao trabalho dos candidatos com pautas relevantes para o Brasil.
O empresário Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez, que é um dos fundadores do Banco Inter, doou outros R$ 600 mil, distribuindo R$ 400 mil para Flávio Roscoe e R$ 200 mil a Edinho Silva, presidente do PT e candidato a deputado federal por São Paulo.
O economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto também aparece entre os dez principais doadores que apoiaram ao mesmo tempo nomes do PL e do PT. Repassou R$ 50 mil a Mendonça Filho, candidato ao Senado pelo PL de Pernambuco, e R$ 10 mil para Marcelo Freixo, que disputa vaga na Câmara pelo PT do Rio.
As doações privadas para as campanhas —não apenas de PT e PL— superam R$ 274,7 milhões. A cifra representa cerca de 5,8% da arrecadação até 8 de setembro.
A lista dos candidatos mais beneficiados pelos repasses privados tem Flávio Roscoe na ponta –R$ 9,3 milhões dos R$ 10,9 milhões arrecadados pelo candidato do PL têm origem em doações privadas. Ele é ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais).
Os dados do TSE também mostram que Humberto Matos, candidato a deputado estadual pelo PC do B do Rio Grande do Sul, e Jones Manoel, que disputa vaga na Câmara dos Deputados pelo PSOL de Pernambuco, formam o par de candidatos que mais recebeu doações de pessoas em comum. São 1.627 doadores, com R$ 241 mil repassados principalmente por meio de campanhas de financiamento coletivo na internet.


