Sindicato europeu de jogadores pede reforma da Fifa após fracasso de proposta de Infantino

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Gianni Infantino discursa com troféu da Copa do Mundo durante evento da Fifa em Dallas - Raymond Carlin III - 1º.jun.26/Imagn Images via Reuters Connect

por Folhapress

A FIFPro (sindicato de jogadores de futebol) exigiu nesta segunda-feira reformas nas estruturas decisórias da Fifa, argumentando que a proposta de investimento, agora abandonada, expôs falhas perigosas na forma como o futebol mundial é administrado.

A organização divulgou um estudo segundo o qual a iniciativa Forward Enterprise, arquivada pela Fifa, teria transformado as principais competições do futebol em ativos para o capital privado sem a devida consulta às principais partes interessadas.

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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, apresentou a proposta no início deste ano, antes de retirá-la em meio à ampla oposição. A FIFPro afirmou que as deficiências de governança que permitiram sua elaboração continuam sem solução.

“A Forward Enterprise foi uma tentativa de converter as principais competições do futebol em um ativo financeiro passível de investimento e negociação, e subvalorizado, para o capital privado”, afirmou o relatório, elaborado em parceria com a Player IQ e a Football Benchmark.

O estudo surge em meio a um debate mais amplo sobre o equilíbrio de poder no futebol mundial. Em documentos judiciais relacionados a contestações da Uefa, entidade que rege o futebol europeu, a Fifa argumentou que a oposição às suas propostas é motivada por esforços para preservar a posição dominante da Europa no esporte.

O sindicato afirmou apoiar os esforços para aumentar o financiamento destinado ao desenvolvimento de federações menores, mas defendeu que qualquer mecanismo de solidariedade seja elaborado conjuntamente pelas partes interessadas de todo o futebol.

“Qualquer proposta futura para ampliar os fundos de solidariedade deve ser construída em conjunto, por meio de uma governança confiável, e não promovida de forma unilateral”, afirmou.

Segundo o relatório, clubes europeus empregavam 856 jogadores na Copa do Mundo de 2026, ampliada, e cederam atletas avaliados em cerca de 16,9 bilhões de euros (US$ 19,8 bilhões), o equivalente a 94% do valor total dos jogadores do torneio.

O documento acrescentou que todos os 20 vencedores de prêmios individuais nas últimas cinco edições da Copa do Mundo atuavam em clubes europeus.

A FIFPro afirmou que as conclusões reforçam a necessidade de proteger o que descreveu como a “infraestrutura crítica” do futebol e pediu uma revisão independente do processo decisório executivo do Conselho da Fifa, a fim de garantir que mudanças importantes não possam ser promovidas por um único gabinete agindo sozinho.

O relatório observou que a parcela da receita da Copa do Mundo distribuída como premiação aos países participantes caiu de 10,5% em 2006 para cerca de 7,7% em 2026, apesar do forte crescimento das receitas do torneio.

“Os jogadores recebem apenas uma fração desse retorno, enquanto as federações participantes dependem dele como a única fonte de receita da Fifa baseada em desempenho”, afirmou o relatório.

O sindicato também pediu a inclusão formal de jogadores, clubes e ligas na governança do futebol, ao lado das associações nacionais.

A Reuters entrou em contato com a Fifa para comentar as conclusões do relatório.

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