Epidemia invisível: Quedas e acidentes de moto disparam e Trauma de Campina Grande ultrapassa 65 mil atendimentos em 2026

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O Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, registrou uma marca alarmante nos primeiros seis meses de 2026. Ao todo, a unidade realizou 65.993 atendimentos, consolidando um aumento de 7,7% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 61.231 ocorrências. Os dados, obtidos com exclusividade pelo nosso portal através do boletim oficial do primeiro semestre, acendem um alerta vermelho sobre a saúde pública e o comportamento urbano na Paraíba.

O raio-X dos dados revela uma realidade impressionante: o hospital atendeu pacientes vindos de 364 municípios, ultrapassando o próprio número de cidades do estado da Paraíba (que possui 223), o que comprova o papel da unidade como um gigantesco polo de recepção interestadual de urgências na região Nordeste. No período, foram realizadas 5.559 cirurgias e concedidas 5.908 altas hospitalares.

O perigo mora em casa: A liderança absoluta das quedas

Ao contrário do que o senso comum sugere — de que hospitais de trauma são ocupados majoritariamente por vítimas de violência urbana ou acidentes automobilísticos —, o principal motivo de entrada no Trauma de Campina Grande são as quedas.

Foram 11.201 registros de quedas no primeiro semestre de 2026. Esse número é:

  • Mais do que o dobro de todos os acidentes de motocicleta.
  • Cerca de 33 vezes maior do que o número de acidentes de carro (337 ocorrências).

Especialistas apontam que essa “epidemia silenciosa” costuma atingir duas pontas vulneráveis da fragilidade física: idosos em ambientes domésticos e trabalhadores da construção civil ou informais sem equipamentos de proteção adequados.

Duas rodas, o vilão das estradas

Se as quedas lideram isoladas, as motocicletas continuam sendo a principal causa de traumas graves provocados por veículos automotores. O hospital registrou 5.475 atendimentos decorrentes de acidentes de moto entre janeiro e junho.

Para se ter uma ideia do abismo estatístico entre os modais de transporte, o Trauma atendeu apenas 337 vítimas de acidentes de carro e 274 de acidentes de bicicleta. Ou seja, as motos geram 16 vezes mais vítimas que os carros na região geográfica coberta pelo hospital.

Raio-X dos Atendimentos por Sinistro (1º Semestre de 2026)

Tipo de Ocorrência Número de Casos
Queda 11.201
Acidente de Motocicleta 5.475
AVC (Acidente Vascular Cerebral) 852
Agressão Física 521
Queimadura 369
Acidente de Carro 337
Acidente de Bicicleta 274
Atropelamento 205
Ferimento por Arma Branca 115
Ferimento por Arma de Fogo 62

Geografia da Urgência

Como era de se esperar por questões demográficas, a sede do hospital lidera a lista de origens de pacientes. Campina Grande responde por 34.288 atendimentos. No entanto, cidades vizinhas da região metropolitana pressionam severamente o fluxo da unidade: Queimadas aparece em segundo lugar com 1.287 atendimentos, seguida de perto por Lagoa Seca, com 1.226.

por TH+

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