Investigação nos EUA indica que Irã pode estar por trás de ataque hacker contra tratamento de água

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Investigadores acreditam que um ataque cibernético ocorrido nesta semana contra dezenas de sistemas municipais de abastecimento de água do estado de Minnesota, nos Estados Unidos, foi provavelmente obra de hackers do Irã, segundo autoridades federais e estaduais, além de outras pessoas familiarizadas com o assunto —um potencial ato de agressão que ocorre em um momento delicado da guerra de Washington contra Terrã.

Torre de água metálica alta em área rural com casas e árvores ao redor, sob céu escurecendo no entardecer.
Torre de abastecimento de água na cidade de Cyrus, em Minnesota – Jenn Ackerman – 7.nov.19/The New York Times

Autoridades ainda não determinaram em definitivo quem foi responsável pelo ataque e alertam que a avaliação preliminar pode mudar à medida que mais dados técnicos sejam coletados.

Elas também advertiram que os hackers podem estar tentando se passar por iranianos em um esforço para aumentar as tensões entre os dois países, embora ex-funcionários de inteligência tenham afirmado que tal cenário seria improvável.

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Autoridades locais relataram que o poço e a estação de tratamento de pelo menos uma cidade ficaram temporariamente fora de operação na segunda-feira (27), enquanto outras cidades do estado tiveram que recorrer a soluções manuais para lidar com tentativas de ataques a operações automatizadas.

Não houve indícios de que qualquer local de abastecimento de água tenha se tornado impróprio para consumo.

Mesmo com seu impacto limitado, o ataque, se confirmada a ligação com Teerã, ocorre em um momento sensível: confrontos diretos entre EUA e Irã foram retomados no Oriente Médio após pausas em meio a negociações.

Três autoridades estaduais informadas sobre a investigação da violação disseram que as técnicas utilizadas, e a ausência de pedido de resgate, levaram analistas a concluir provisoriamente que se tratava de obra de hackers iranianos. Essas autoridades falaram sob condição de anonimato para discutir uma investigação criminal em andamento.

“O FBI está ciente do incidente e em contato com as vítimas para resolver a questão”, disse Matthew Vogel, porta-voz da agência, que se recusou a fazer outros comentários.

Enquanto a investigação prossegue, ex-funcionários e especialistas em segurança cibernética dizem esperar que as suspeitas sobre o envolvimento do Irã só se fortaleçam.

“Quase toda suposição inicial de atribuição acaba se confirmando”, disse Cynthia Kaiser, ex-funcionária sênior do FBI que supervisionou investigações sobre ataques cibernéticos atribuídos a governos estrangeiros. Várias pistas apontam para o Irã neste caso, disse Kaiser, incluindo o fato de que o ataque parecia focado em causar interrupção em vez de ganho financeiro e que Teerã demonstrou interesse recente em atacar o sistema de abastecimento de água dos EUA.

John Israel, diretor de segurança da informação de Minnesota, disse que hackers atacaram cerca de 36 sistemas municipais de água no estado como parte de uma violação detectada pela primeira vez no domingo (26).

O primeiro relato levou autoridades estaduais a advertir municípios com vulnerabilidades semelhantes para ficarem em alerta, o que permitiu uma resposta rápida, disse Israel. Os hackers atacaram infraestruturas usadas para gerenciar e monitorar remotamente torres de água mantidas por governos municipais.

“Minnesota foi um dos primeiros a detectar isso, mas estamos vendo que essa mesma atividade de ameaça provavelmente está ocorrendo em outros estados pelo país”, afirmou.

Israel disse que, até a tarde de quarta-feira (29), não havia indicação de que qualquer uma das violações tenha contaminado ou interrompido o fornecimento de água.

O Irã tem atacado os EUA com uma enxurrada crescente de ataques cibernéticos desde que a guerra começou em fevereiro, com sucesso limitado. Uma exceção notável foi um ataque em março à Stryker, uma grande fornecedora de equipamentos médicos, que causou uma paralisação temporária em toda a empresa.

Outras atividades cibernéticas conduzidas pelo Irã contra os EUA têm sido mais incômodas do que alarmantes. Por exemplo, um grupo afiliado à inteligência iraniana assumiu a responsabilidade pela divulgação de emails e fotografias roubados de uma conta pessoal de Kash Patel, o diretor do FBI.

Nick Andersen, diretor interino da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura, disse na quarta-feira que a agência estava ciente de “múltiplos incidentes potenciais afetando concessionárias locais de água”.

Andersen não comentou sobre quem seria o responsável, mas se referiu a um comunicado de segurança cibernética atualizado pela agência poucos dias antes do início do ataque em Minnesota. O documento alertava que “atores cibernéticos afiliados ao Irã” estavam tentando invadir dispositivos de tecnologia operacional para potencialmente interromper infraestruturas críticas nos EUA, incluindo sistemas de água e esgoto.

Especialistas em segurança cibernética há muito afirmam que os sistemas de água dos EUA, que tendem a ser antigos e com financiamento insuficiente, são vulneráveis a interrupções digitais.

Nate George, prefeito de Braham, em Minnesota, uma pequena cidade a 105 quilômetros ao norte de Minneapolis, disse que funcionários de obras públicas notaram no início da segunda-feira que o poço que abastece a torre de água da cidade estava com defeito.

“A equipe de obras públicas isolou o sistema afetado, restaurou um backup e reiniciou a estação em aproximadamente 90 minutos”, disse George em comunicado. A cidade pediu brevemente aos moradores que economizassem água, mas logo suspendeu esse alerta.

“Este ataque à infraestrutura pública crítica deveria servir de alerta para os formuladores de políticas em St. Paul [capital do estado]”, escreveu George. “Espera-se que os governos locais de Minnesota defendam sistemas essenciais contra adversários estrangeiros e criminosos sofisticados, frequentemente com equipe limitada, tecnologia obsoleta e recursos inadequados.”

por The New York Times

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