Presidente eleito da Colômbia abandona plano de cerimônia militar e tomará posse fora da capital

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O Senado da Colômbia aprovou a realização da posse presidencial de Abelardo De la Espriella na cidade de Cali, capital do departamento de Valle del Cauca, após horas de debate nesta semana. A votação repete o resultado obtido pelo presidente eleito uma semana antes, quando a Casa havia aprovado que a cerimônia ocorresse em Popayán, no departamento do Cauca —plano que acabou sendo trocado por Cali.

Homem de terno escuro e óculos escuros fala com expressão enfática em microfone, apontando o dedo indicador para cima. Pessoas e policiais com bonés verdes estão ao fundo, desfocados.
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, durante discurso em parada militar em Medellín – Jaime Saldarriaga – 20.jul.26/AFP

Há duas semanas, o atual presidente, Gustavo Petro, já havia vetado a possibilidade de a posse ocorrer em uma instalação militar, ideia que Espriella havia defendido originalmente durante a campanha. Com a decisão desta quinta, está definido, portanto, que o evento será realizado em um auditório da Universidade Santiago de Cali, e não em um quartel.

Parlamentares governistas criticaram a nova rodada de discussão no Senado, argumentando que a sede do evento já havia sido aprovada na semana anterior e que a mudança para Cali não deveria ter gerado novo debate. Com a decisão do Senado, fica encerrada a última etapa legislativa pendente sobre o tema —a Câmara dos Representantes já havia aprovado a mudança de sede na terça-feira (21).

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Segundo o jornal espanhol El País, a Câmara aprovou o texto por 117 votos a favor e 7 contra, atendendo a um pedido direto do presidente eleito, que gravou um vídeo nas redes sociais solicitando aos parlamentares que aprovassem a mudança da cerimônia de Popayán para Cali.

Espriella recuou de várias intenções anteriores: durante a campanha, chegou a prometer que tomaria posse em uma guarnição militar fora de Bogotá; depois, disse que o ato ocorreria em Popayán, pedido aprovado pelo Senado na semana anterior. Dias depois, porém, voltou atrás, alegando problemas climáticos ligados ao vulcão Puracé, abandonou a intenção de usar uma instalação militar e passou a defender a realização do evento em Cali, em um espaço civil.

A governadora do Valle del Cauca, Dilian Francisca Toro, e o prefeito de Cali, Alejandro Eder, comemoraram a decisão e ofereceram o auditório da Universidade Santiago de Cali para sediar a cerimônia. Na Câmara, Espriella obteve o apoio de partidos de direita, além de agrupamentos minoritários, e de parte dos congressistas das cadeiras reservadas a vítimas do conflito armado.

Os 41 deputados do Pacto Histórico, de esquerda, e parte da bancada do Partido Verde se posicionaram contra a mudança e deixaram o plenário sem votar. O deputado Santiago Osorio criticou o custo da operação: “O capricho de realizar a posse em Cali custará 14 bilhões de pesos. Se querem descentralizar, deveriam discutir lei, não realizar uma posse fora de Bogotá”.

Antes do resultado da votação na Câmara, o presidente Gustavo Petro, que deixa o cargo, havia pedido ao Congresso que rejeitasse a mudança de sede. Em publicação na rede social X, o mandatário de esquerda escreveu: “Não entendo como se pode alcançar o povo sem ir à Praça Bolívar, em Bogotá, onde fica o prédio do Congresso, e levando o Congresso a um local de espetáculos. Política não é teatro barato, mas sim o debate público sobre assuntos públicos. Se o Congresso aceita isso, que assim seja, mas está se permitindo ser degradado”.

A aprovação na Câmara só ocorreu depois de os deputados rejeitarem, em votação anterior, uma proposta do Pacto Histórico que defendia manter a posse na sede do Congresso em Bogotá, como ocorre tradicionalmente.

por Folhapress

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