Lindbergh pede à PF que inclua Flávio Bolsonaro em investigação de fraude no INSS
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento de pré-campanha em Curitiba - Rodolfo Buhrer - 29.mai.26/Reuters
por UOL
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal pedindo a inclusão do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) nas investigações sobre as fraudes do INSS. O parlamentar também solicita a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador.
O pedido foi feito após reportagem do UOL revelar e-mails que indicam que uma conta identificada com o nome de Flávio estava vinculada ao mesmo perfil de acesso bancário utilizado por um advogado investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. Ambos negam a existência de relação financeira entre eles.
O que pede o deputado
Lindbergh pede que Flávio seja formalmente investigado na Operação Sem Desconto. No documento de 16 páginas, obtido pelo UOL, o deputado solicita que a PF encaminhe ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), um pedido para incluir o senador entre os investigados. Mendonça é o relator do caso na Corte.
Deputado também solicita a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio. O pedido abrange o senador e sua sociedade de advocacia, além de contas relacionadas ao advogado Willer Tomaz de Souza e às empresas Alcazar Holdings e Cathedral Holdings. Lindbergh quer que sejam analisadas possíveis movimentações financeiras relacionadas ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Notícia-crime aponta suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção. O deputado também pede a apuração de possíveis crimes de evasão de divisas, obstrução de investigação e irregularidades eleitorais. As suspeitas são levantadas pelo parlamentar e dependem de investigação para serem confirmadas.
Lindbergh acusa Flávio de ter se beneficiado do dinheiro desviado do INSS. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado afirmou que o senador poderia ser um dos destinatários finais dos recursos. “Parece aqui que Flávio Bolsonaro era o beneficiário final, junto com Willer Tomaz, da grana roubada com o INSS”, declarou. A acusação não foi comprovada.
Pedido também envolve viagens em jatos executivos e uso de imóveis. Segundo a notícia-crime, empresas ligadas a Willer Tomaz teriam custeado voos utilizados por Flávio e familiares em 2024 e 2025. O documento também menciona o uso, durante a campanha presidencial, de um apartamento em São Paulo pertencente a uma empresa do advogado. Lindbergh pede que essas relações financeiras sejam investigadas.
Deputado quer cooperação internacional para rastrear recursos. A notícia-crime solicita que a PF busque informações em Portugal e, se necessário, nos Estados Unidos, para identificar os responsáveis pelas empresas estrangeiras, suas contas bancárias e os pagamentos das viagens. Também pede a análise de dados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão responsável por identificar movimentações financeiras suspeitas.
O que revelou o UOL
Emails obtidos pela PF indicam que uma conta identificada com o nome de Flávio estava vinculada ao mesmo usuário bancário utilizado por Willer Tomaz. Segundo reportagem publicada neste sábado (10), a conta aparecia associada ao perfil de administrador que também operava contas do advogado e da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
A vinculação foi desfeita em maio de 2025, após o início da Operação Sem Desconto. Uma funcionária do escritório de Tomaz solicitou ao Santander a retirada da conta identificada com o nome do senador do perfil de acesso bancário. O banco confirmou a exclusão no mesmo dia. Os documentos não comprovam, por si só, que Flávio tenha recebido recursos desviados do INSS.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam qualquer relação financeira entre os dois. O senador afirma que nunca manteve conta administrada pelo advogado ou por suas empresas e classificou as informações como falsas. A defesa de Tomaz também nega ter criado qualquer usuário bancário em nome de Flávio e afirma que a relação entre ambos se limita à amizade pessoal.
Repercussão
Outros petistas também repercutiram a reportagem. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) publicou um vídeo e ironizou a suposta conta compartilhada: “no Bolsomaster eles dividem é com bandido”. O perfil oficial do PT também divulgou a informação sobre o vínculo bancário apontado nos e-mails e destacou a proximidade entre Flávio e Willer Tomaz.
Leonel Radde cobra explicações sobre o vínculo bancário e as viagens. O deputado estadual do PT-RS afirmou que Flávio e o advogado “têm muito a explicar”. “Para os aposentados, o prejuízo. Para Flávio, muitos benefícios. Vai chamar tudo de coincidência?”, escreveu.
Parlamentares do PSOL também comentaram o caso. O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que os elementos divulgados apontariam uma relação que vai além de “amizade legítima”. Já o vereador William Siri (PSOL-RJ) escreveu: “É cada amigo que esse Flávio tem, sabe… O Brasil não merece essa turma”.


