Campanha de Lula acusa dona do Instagram e Facebook de interferir em favor de Flávio Bolsonaro
Redator 10 de outubro de 2026 0
O presidente Lula — Foto: REUTERS/Adriano Machado
por Folhapress
A campanha de reeleição do presidente Lula (PT) acusou neste sábado (10) a Meta, empresa de tecnologia americana dona do Facebook e do Instagram, de interferir na disputa eleitoral em favor do adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O grupo de Lula afirma ter decidido acionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).
Os lulistas dizem ter sido prejudicados pela empresa em diversos momentos desde o final do ano passado. Também afirmam que, ao pedir explicações da big tech, a resposta se repete, com a declaração de que houve problemas técnicos.


A Meta disse, em nota, que as alegações são falsas, que os problemas técnicos não afetaram apenas o Brasil e que cumpre as regras eleitorais.
“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, afirmou a empresa.
O TSE determinou que a Meta apresente, em até 48 horas, esclarecimentos técnicos, além de preservar os registros de moderação, dados de anúncios e métricas relacionadas às publicações investigadas.
A empresa também deverá detalhar eventuais restrições aplicadas desde 16 de agosto aos perfis oficiais de Lula e a outras contas indicadas pela coligação, bem como explicar alterações nas métricas de vídeos publicados em 7 de outubro e os motivos da desativação da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro.
O tribunal ainda solicitou que a Meta esclareça se aplica de maneira igualitária às duas candidaturas as regras sobre recomendação de conteúdos eleitorais.
Após a manifestação da empresa, a coligação de Lula e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazo de 24 horas cada para se pronunciar. Somente depois dessas etapas o TSE analisará o pedido de medida urgente apresentada pela campanha.
O senador e ex-ministro Camilo Santana, um dos coordenadores da campanha petista, afirmou que se trata de uma intervenção. “Isso causa um desequilíbrio em uma eleição tão apertada”, declarou. Ele falou a jornalistas na sede da campanha de Lula, em Brasília.
Camilo afirmou haver uma tentativa de impedir que o eleitorado brasileiro receba informações sobre Flávio Bolsonaro —a campanha petista tem tentado desconstruir a imagem do adversário, incluindo em ambientes digitais.
A campanha de Lula divulgou uma nota listando ocasiões em que teria sido prejudicada pela Meta. A mais recente, de acordo com o texto, foi entre sexta-feira (9) e este sábado (10).
“Desde o começo do dia de ontem, 9 de outubro, até a manhã de hoje, o perfil do presidente Lula foi impedido pela Meta de impulsionar conteúdos do feed no Instagram. Isso significa que, durante todo esse período, a campanha não pôde usar essa modalidade de impulsionamento, que faz parte da estratégia digital de qualquer campanha política”, afirma a nota da campanha de Lula.
Os petistas também afirmam, por exemplo, que na campanha de primeiro turno a conta de anúncio de Lula teria sido retirada do ar. Além disso, declaram que o algoritmo –o sistema que distribui conteúdos nas redes sociais– privilegia a candidatura de Flávio.
Em outra ocasião, “uma das publicações da conta oficial do presidente Lula teve interrupção no número registrado de visualizações, com impacto em seu alcance”, de acordo com o texto.
A biblioteca de anúncios da Meta, acessada pela Folha no fim da manhã deste sábado, aponta 11 anúncios impulsionados ativos nos perfis de Lula no Instagram e no Facebook.
“A sucessão de problemas técnicos não explicados pela empresa levanta forte suspeita de que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício à candidatura de Flávio Bolsonaro”, afirma a nota da campanha de Lula.
Camilo Santana declarou que as medidas na Justiça Eleitoral e na ANPD estão sendo tomadas porque a empresa não explica os episódios apontados. “Reconhece o erro, mas não justifica, e continua cometendo novos erros enquanto estamos a 15 dias das eleições”, declarou o petista.
A campanha de Lula passou por uma reformulação após o presidente terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro —foram 45% dos votos para o petista e 47% para o adversário.
Agora, o esforço de reeleição de Lula tem mais presença nas redes sociais, ambiente em que o bolsonarismo tradicionalmente leva vantagem. O grupo petista tem tentado levar às redes argumentos para o eleitorado temer a perda de programas sociais caso Flávio seja eleito.
“Ele não quer que o povo brasileiro saiba que ele é a favor da manutenção da escala 6×1 e nós somos contra”, disse Camilo Santana, listando também outros pontos usados pela campanha de Lula para tentar desgastar a imagem do adversário.
Ao longo dos últimos meses, aliados de Lula e integrantes do governo relataram o receio de uma interferência americana nas eleições brasileiras em favor de Flávio. O motivo seria a preferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por políticos de direita. Uma das hipóteses levantadas por eles era que uma eventual interferência fosse executada por meio de empresas de tecnologia.
