Lula mira rejeição a Flávio Bolsonaro em campanha no Norte, Nordeste e SP na reta final do 1º turno
por Folhapress

Na última semana de campanha antes do primeiro turno, o presidente Lula (PT) deve intensificar a busca por votos de eleitores indecisos e investir em comícios no Pará e no Nordeste, além de uma caminhada final na capital paulista.
O petista ainda é pressionado pela estabilidade nas intenções de voto. A última pesquisa Datafolha mostrou empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) no cenário de segundo turno. Na da Quaest divulgada nesta segunda-feira (28) houve oscilações positivas para Lula, mas ainda dentro das margens de erro.
A campanha de Lula, porém, avalia que é possível ganhar fôlego com anúncios feitos dias antes da votação, como a medida provisória que proíbe as bets, além da repercussão nas redes sociais sobre a fake news de que Flávio deseja retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Nesse cenário, o discurso de Lula deve se voltar a eleitores que não apoiam incondicionalmente o atual governo e que estão propensos a votar em outro candidato, como Augusto Cury (Avante), mas que podem mudar de posição por rejeição ao bolsonarismo.
Lula não deve ir ao debate da Globo na quinta-feira (1º). Ele cogitou participar, mas aliados diziam nesta segunda que a tendência é ele não comparecer.
Embora a agenda de Lula para a data esteja em aberto, a avaliação predominante no entorno do petista é de que ele será alvo de todos os outros candidatos caso esteja no debate, o último e com mais audiência na campanha.
Mesmo com o alerta da emissora de que pretende deixar uma cadeira vazia em horário nobre representando a ausência de Lula —ou outro candidato que venha a faltar—, a avaliação é que ouvir críticas presencialmente seria ainda mais desgastante para a imagem do petista.
Um exemplo da retórica do candidato à reeleição que deve se manter em agendas nos próximos dias foi apresentado em evento com empresários na última semana, como mostrou o Painel da Folha, quando ele disse que até entenderia a dúvida caso a competição fosse entre ele e um gênio, mas que não é o caso contra o senador do PL.
Após visitar nova estrutura de um hospital em Belém nesta segunda-feira (28), o presidente participaria de ato de campanha no centro da capital paraense. No segundo turno da eleição de 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) no estado com 54,75% dos votos válidos. O petista conta com o ex-governador e candidato a senador Helder Barbalho (MDB) como seu principal trunfo no principal colégio eleitoral da região Norte.
Lula deve ter compromissos de campanha em Fortaleza e Salvador nesta terça-feira (29); Juiz de Fora (MG) na quarta (30); e no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte na sexta (1), além do encerramento em São Paulo na véspera da eleição.
O presidente tenta impulsionar a candidatura de Elmano de Freitas (PT) ao governo cearense. Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 25 mostra cenário de empate técnico na disputa: Ciro Gomes (PSDB) com 44%, contra 43% de Elmano, com margem de erro de três pontos percentuais.
Já na Bahia, bastião histórico do PT, um dos destinos deve ser a cidade de Feira de Santana, a cerca de 115 km de Salvador, onde Lula deve participar de uma carreta com apoiadores.
A equipe de Lula ainda pode encaixar uma visita a Minas Gerais na última semana antes do primeiro turno.
O petista oscilou para cima nas pesquisas de intenção de voto depois de proibir as apostas online operadas por bets e da disseminação de notícia falsa sobre a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida por Flávio Bolsonaro.
A desinformação virou munição de rivais e abriu uma disputa religiosa com aliados de Lula, explorada inclusive pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pela primeira-dama Janja.
A campanha de Lula avalia que, nos últimos dias, o fato de a crise institucional no STF (Supremo Tribunal Federal) ter arrefecido —mesmo que momentaneamente— ajudou o governo a recuperar a iniciativa no debate eleitoral, sendo o anúncio da proibição das bets a principal aposta de Lula às vésperas do dia do pleito.
A rejeição do eleitorado, porém, é um desafio que atinge Lula e Flávio. Cada um tem 45% dos entrevistados do último Datafolha afirmando que não votariam neles de forma alguma.
A campanha do primeiro turno do petista deve se encerrar com agenda em São Paulo no sábado (3). Como as regras eleitorais vedam a realização de grandes comícios nas 48 horas que antecedem a votação, a equipe do presidente planeja uma caminhada na capital paulista.
Lula deseja demonstrar apoio a Fernando Haddad (PT) e reforçar posição no maior colégio eleitoral do país. A última pesquisa Datafolha indica que Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 50% das intenções de votos totais e pode ser reeleito no primeiro turno, enquanto Haddad tem 30% das menções.


