Lula promete ‘salto além do básico’ se for reeleito e diz que, aos 80 anos, está ‘infinitamente melhor’

0

Por Nayara Felizardo, Arthur Stabile, Aline Freitas, g1

Lula discursa em convenção — Foto: Arthur Stabile/g1
Lula discursa em convenção — Foto: Arthur Stabile/g1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT) discursou na convenção partidária que oficializou sua candidatura neste domingo (2).

Ao longo do discurso, Lula reforçou o combate à violência contra a mulher, afirmou que, aos 80 anos, está em plenas condições físicas para disputar a reeleição, e disse que, se ganhar, “não vai disputar o penta”.

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow

Candidato à reeleição, Lula disse que, se eleito, o foco é dar um salto.

“Agora que temos o básico garantido é a hora de dar um salto”, afirmou.

Além disso, o presidente listou cinco compromissos de um eventual quarto mandato:

  • Educação;
  • Programa para idosos;
  • Fortalecer a indústria da defesa;
  • Terras raras e minerais críticos como patrimônio para os brasileiros;
  • Transição energética

No início da fala, Lula comparou suas candidaturas presidenciais à participação de jogadores em Copas do Mundo. Disse que, se for eleito, pretende encerrar a carreira política ao fim do mandato. Também agradeceu aos partidos aliados, à militância e a lideranças políticas presentes na convenção.

“Se eu ganhar, são quatro copas. Não vou disputar o penta, porque depois de terminar essa quero tirar férias para aproveitar mais 20 anos”, afirmou.

Ao defender a campanha à reeleição, Lula afirmou que sua candidatura não precisa “contar uma mentira” nem “inventar nada”, por ser sustentada pelo legado do atual governo. Segundo ele, “quem fez pode prometer mais; quem não fez não tem o que prometer”.

“Nós vamos para uma campanha em que qualquer assunto, em qualquer estado, com qualquer governador, vocês podem ter orgulho de defender o que o governo federal fez naquele estado”, disse Lula.

Lula elogiou ministros como Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, e afirmou que a campanha deve destacar as entregas da gestão federal aos estados e municípios.

O combate à violência contra a mulher também foi pontuado por Lula.

“Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar o dia que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher”, disse.

Em seguida, disse que o PT e o governo precisam ter coragem de defender essa pauta e declarou: “O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate uma mulher. Quem bate numa mulher não precisa votar em mim”.

Mais à frente em sua fala, Lula relembrou quando foi candidato e pontuava pouco nas pesquisas.

“Por isso, eu quero dizer a todo mundo não fique preocupado com pesquisa. Nem se tiver bom e nem se não tiver bom. A guerra não começou o campeonato não começou”, afirmou.

Em seguida, comentou o episódio que ocorreu na Bahia no sábado (1º). Na data, na convenção que oficializou o governador Jerônimo Rodrigues como candidato à reeleição pelo PT, o presidente Lula afirmou:

“Depois que vocês votarem em deputado estadual e deputada estadual, votar em deputado federal e deputada federal, votar em senador da República e votar no Jerônimo, se sobrar um pouquinho de voto, vote em mim, que eu agradeço a todos vocês a lembrança”

Neste domingo (2), em seu discurso, disse:

“Eu falei na Bahia, eu vou ser multado, porque eu pedi voto para você'”, afirmou Lula, direcionado a Rodrigues.

Ainda em sua fala, Lula comentou sobre o fundo partidário e sobre as emendas parlamentares.

“Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade. Fez todos nós iguais”, disse.

“Minha quarta presidência é pra mudar muita coisa. Vai ter briga com emenda parlamentar”, afirmou.

Em diferentes pontos, Lula falou sobre a própria idade e afirmou que pretende disputar a reeleição em plenas condições físicas.

Em um momento, o presidente disse que, aos 80 anos, está “infinitamente melhor” do que quando era mais novo, atribuiu isso à rotina de exercícios e afirmou que quer “brigar com a velhice”.

“Eu tô inteiraço”, declarou.

Ainda em discurso, ao elencar seus compromissos, se eleito, Lula defendeu investimentos na indústria da defesa.

“Outra coisa importante é a questão da defesa. Quero pedir pra esquerda parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que se preocupar com a defesa”, afirmou. “Quero estar preparado para que ninguém invada esse país para levar o presidente. Para ninguém ousar se fazer de besta conosco. Precisamos investir na indústria da defesa.”

Além disso, citou seu planejamento para focar em políticas para os idosos e na educação.

“Eu quero olhar para os idosos. Nossa população envelheceu e nem sempre o filho que ela pariu cuida dela como ela cuidava dele. Nós precisamos criar um programa pro idoso. Mas não para ele ficar em um canto parado. É pra ele até namorar, se encontrar uma parceira”, disse.

“É mais barato investir em educação do que manter alguém na prisão. E quem pode ir pra prisão é esse jovem, se a gente não investir nele.”

No final do discurso, Lula pediu desculpas pelo que não cumpriu nos outros mandatos.

“Eu sei que muitas vezes vocês ficaram frustrados comigo em alguma coisa. Eu sei que nem sempre eu pude entregar tudo do jeito que vocês queriam. Mas quando a gente governa, a gente não faz tudo que a gente quer. A gente faz muita coisa que a gente pode fazer e outras a gente não pode fazer”, disse.

A convenção

O evento, que acontece no Expo Center Norte, na Zona Norte da cidade de São Paulo, teve início às 10h. Lula subiu ao palco por volta das 11h40 e começou a falar com o público às 12h22. Contudo, antes de discursar, Lula deu o microfone à primeira-dama Janja Lula da Silva.

“Agora, antes de eu falar, eu quero fazer uma crítica a mim uma crítica porque não é possível que a gente tenha esquecido do principal evento da nossa campanha não ter colocado uma mulher para falar”, disse Lula antes de conceder a palavra a Janja.

Também antes de sua fala, houve a execução do hino nacional e discursos do presidente do PT, Edinho Silva, do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e do candidato a vice, Geraldo Alckmin.

A cerimônia teve início com uma entrevista com a deputada federal Benedita da Silva (PT), e também contou com a presença, desde o início, do presidente do partido no estado e coordenador da campanha de Fernando Haddad ao governo de SP, Kiko Celeguim.

Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo; Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo; Aloizio Mercadante, ex-senador pelo PT; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; e o senador Rogério Carvalho (PT) também estão na convenção.

Enquanto aguardava o discurso do presidente, o evento focou em citar propostas e medidas implementadas por Lula durante o terceiro mandato. A cerimônia também destacou o papel das mulheres na sociedade.

Aos 80 anos, Lula vai em busca de seu quarto mandato presidencial: foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e novamente escolhido como presidente em 2022.

O presidente também disputou as eleições de 1989, 1994 e 1998, quando saiu derrotado: primeiro, por Fernando Collor e, depois, por Fernando Henrique Cardoso duas vezes.

Se vencer neste ano, chegará a 16 anos como presidente e ficará atrás somente de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos, mas só foi eleito pelo voto direto uma vez.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow