Ministério Público do RS investiga Huck e Globo por divulgar site que auxilia busca de candidatos

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por Folhapress

Luciano Huck, que foi é acusado de divulgar plataforma que privilegia candidatos de direita – Manoella Mello/Globo

O Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul abriu investigação para apurar se Luciano Huck e a Globo infringiram a lei eleitoral no último fim de semana. Durante o Domingão com Huck, no último domingo (27), o apresentador divulgou no ar a plataforma TemMeuVoto.

A apuração do órgão foi iniciada após a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) acionar a Procuradoria-Geral Eleitoral.

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A coluna entrou em contato com Huck e a Globo nesta terça-feira (29) por email e telefone. Huck não respondeu, enquanto a emissora diz não ter sido notificada. Já a plataforma diz ser apartidária.

Na denúncia, a deputada diz que diversos eleitores relataram irregularidades com o endereço divulgado por Huck. Criado por 14 organizações, como a RenovaBR e a Transparência Internacional Brasil, o site indica deputados alinhados com o pensamento do eleitor após a resposta de um questionário.

“Eu queria falar sobre uma plataforma, que é gratuita e apartidária, que dá um match entre eleitor e candidato, que se chama TemMeuVoto. O eleitor responde oito perguntas e o sistema calcula o percentual de alinhamento”, disse Huck no programa.

Segundo a denúncia, eleitores nas redes sociais se queixaram de que a plataforma só tem feito “matches” com candidatos de direita ou extrema direita. Isso ocorreria mesmo que as respostas para as perguntas feitas pelo sistema sejam majoritariamente progressistas.

Em outro pedido, o vereador Nabil Bonduki (PT-SP), candidato a deputado federal, requisitou que a plataforma saia do ar. Ele acusa a Globo e Huck de terem feito publicidade eleitoral, o que não é permitido em programas de televisão. O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) analisa a solicitação.

“Estamos a poucos dias da eleição. Uma ferramenta com potencial para influenciar a escolha de milhares de pessoas precisa ter transparência, critérios verificáveis e tratamento isonômico entre todas as candidaturas”, diz Bonduki.

Em nota, a plataforma TemMeuVoto diz que “não recomenda voto nem favorece partidos: permite ao eleitor comparar suas posições com as das candidaturas, com metodologia pública, disponível para consulta, e critérios iguais para todos”.

“A metodologia compara posições sobre oito temas, considerando as prioridades indicadas pelo próprio eleitor. Quando uma candidatura responde ao questionário, sua resposta prevalece sobre qualquer estimativa baseada em registros parlamentares. O resultado expressa afinidade nos temas consultados, não uma recomendação de voto. Cabe ao eleitor considerar essas informações junto a outros critérios que julgue relevantes para sua decisão”, afirma.

A plataforma diz que seu compromisso é “ampliar o acesso à informação e fortalecer a autonomia e o senso crítico do eleitor, a quem cabe decidir, de forma livre e consciente, em quem votar”.

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