Ministro da Fazenda diz que pessoas e empresas alvos de sanções dos EUA já estavam sendo investigadas: ‘interferência nos preocupa’
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na sexta-feira (3) em entrevista exclusiva ao g1 que os alvos das sanções aplicadas pelos Estados Unidos por suposta ligação com facções criminosas já estavam sendo investigados no Brasil “há um tempo” e que a “interferência” da gestão de Donald Trump preocupa.
A Polícia Federal (PF) fez hoje uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

Ao todo, a PF expediu 11 mandados de prisão temporária. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que na última quarta-feira (1º) foi sancionada pelos EUA por suposto vículo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo de sanções do governo americano, está entre os procurados pela PF, mas está foragido.
“Essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil, pela Polícia Federal, pela Receita [Federal]. A gente já sabia, não tem novidade. Hoje mesmo a polícia faz uma operação, quer dizer que a investigação já estava em curso há um tempo”, disse Durigan.
Essa foi a primeira rodada de sanções econômicas divulgadas pelos EUA contra alvos que acreditam ter relação com facções criminosas após classificá-las como grupos terroristas internacionais, em junho.
“Essas organizações são, de fato, muito ruins e causam terror social no Brasil. E aí, o que a gente fica com dúvida, tanto nós, quanto a população brasileira, é o que será feito com isso. E esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso, é o que nos preocupa”, afirmou o ministro da Fazenda.
De acordo com o ministro, o Brasil está aberto a fornecer informações sobre indivíduos suspeitos de envolvimento com as facções criminosas, mas espera, em contrapartida, que os Estados Unidos forneçam informações aos investigadores brasileiros.
“Nesses casos de agora, especificamente, houve troca de informações. A própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos o que se passava aqui. A gente que já estava investigando e punindo essas pessoas e essas empresas”, declarou o ministro.
Durigan diz que PIX não prejudica americanos e defende ‘racionalidade’ em decisão dos EUA sobre tarifas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu em entrevista exclusiva ao g1 na sexta-feira (3) que prevaleça a racionalidade na decisão dos Estados Unidos sobre a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras.
O Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) conduziu investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e concluiu que práticas adotadas pelo Brasil “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
“São argumentos que, quando colocados, o Brasil tem razão. Então, eu espero que prevaleça a racionalidade, prevaleça o argumento técnico e essas tarifas não fiquem de pé em relação ao Brasil”, disse o ministro.
O relatório final do USTR listou, em áreas, as preocupações do governo de Donald Trump em relação ao Brasil: comércio digital e serviços de pagamento (PIX); regulação de redes sociais; tarifas preferenciais desleais; desmatamento ilegal; acesso ao mercado de etanol; e proteção da propriedade intelectual.
O texto afirma que o Banco Central (BC) favorece o PIX, em detrimento de sistemas de pagamentos americanos. O USTR critica ainda o fato de o BC atuar ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes.
“O argumento de que o PIX prejudica atores norte-americanos não faz nenhum sentido. (…) O PIX é um meio de pagamento, é uma infraestrutura que o Brasil desenvolveu a várias mãos, há muito tempo, e que é oferecida universalmente. Qualquer empresa, qualquer pessoa que atue no Brasil tem acesso ao PIX”, afirmou Durigan.
A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.
Na última quinta-feira (2), o governo brasileiro apresentou a defesa formal do país ao Estados Unidos. O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, também foi dividido em áreas temáticas.
Desde a divulgação o relatório do USTR, autoridades brasileiras e americanas têm feito reuniões de trabalho. No encontro virtual mais recente, o governo propôs um “mapa do caminho”, ampliando as garantias de que as práticas adotadas pelo Brasil são legítimas e não são prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.
“Quando a gente olha para a Seção 301, que são acusações específicas, o que me parece é que eles estão desatualizados. Acho que eles estão achando que estão falando ainda com o governo anterior. Eles dizem: “o desmatamento no Brasil é alto”. Não. Está desatualizada essa informação. Quando passava a boiada e o desmatamento era alto, era no governo anterior. Agora, nós estamos com mínima de desmatamento na Amazônia, na Mata Atlântica”.
