Na Nova Brasil FM, João Azevêdo defende Sistema Único de Segurança e financiamento federal
por TH+

O ex-governador da Paraíba e candidato ao Senado João Azevêdo (PSB) defendeu nesta sexta-feira (18) a criação de um Sistema Único de Segurança Pública com financiamento federal, integração das estruturas de inteligência dos estados e maior participação da União no enfrentamento ao crime organizado.
A proposta foi apresentada durante entrevista ao jornalista Josival Pereira, na Nova Brasil FM 102,5, em João Pessoa, dentro da rodada de sabatinas promovida pela emissora com candidatos ao Senado pela Paraíba nas Eleições 2026.
João também colocou a segurança hídrica entre as pautas que pretende levar ao Congresso, defendeu maior aproveitamento das águas da Transposição do Rio São Francisco para atividades produtivas e fez um balanço das políticas executadas durante os oito anos em que comandou o Governo da Paraíba.
Questionado ainda sobre o prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSDB), que decidiu apoiar outros candidatos ao Senado, João afirmou respeitar a escolha e disse não cobrar reciprocidade política.
Sistema Único de Segurança
Um dos principais temas da entrevista foi o enfrentamento ao crime organizado.
João Azevêdo defendeu uma estrutura nacional que permita o compartilhamento permanente de informações entre as forças de segurança dos estados.
Segundo o candidato, dados de inteligência obtidos por uma polícia estadual precisam estar disponíveis para forças de segurança de outras unidades da Federação.
“Há necessidade de você ter um sistema único nacional em que todas as inteligências dos estados estejam conectadas”, afirmou.
João argumentou que o avanço de organizações criminosas para diferentes regiões do país exige uma resposta igualmente integrada.
Pela proposta defendida pelo candidato, os estados manteriam autonomia sobre suas forças policiais, mas compartilhariam informações e atuariam de forma coordenada no enfrentamento a organizações que ultrapassam as fronteiras estaduais.
João defende Ministério da Segurança
Além da integração das forças estaduais, João Azevêdo defendeu a existência de um Ministério da Segurança Pública na estrutura federal.
O candidato argumentou que a pasta deveria coordenar políticas nacionais para o setor sem retirar dos estados suas atribuições constitucionais.
“Todo mundo com a sua independência, mas integrado”, resumiu.
João também defendeu que a segurança tenha uma fonte permanente de financiamento federal.
Na avaliação dele, o modelo deveria garantir recursos de maneira semelhante ao financiamento existente em outras políticas públicas nacionais.
“Vou defender o Sistema Único de Segurança, vou defender a criação do ministério, vou defender financiamento”, afirmou.
Crime organizado ultrapassa fronteiras estaduais
Para justificar a necessidade de maior participação da União, João mencionou apreensões de drogas e armas realizadas na Paraíba durante sua gestão.
Segundo o candidato, esses materiais não são produzidos no estado e chegam à Paraíba por rotas que atravessam fronteiras nacionais e estaduais.
O argumento apresentado por João é que o enfrentamento dessas estruturas não pode ficar restrito às polícias estaduais.
O ex-governador citou ainda a implantação dos Centros Integrados de Comando e Controle de João Pessoa, Campina Grande e Patos como exemplo de utilização conjunta de inteligência e tecnologia.
João apresenta resultados da segurança na Paraíba
Ao ser questionado sobre críticas da oposição à política de segurança pública durante seu governo, João utilizou indicadores do período em que esteve à frente do Executivo estadual para defender a gestão.
Ele afirmou que a Paraíba registrou redução da taxa de homicídios ao longo dos últimos anos e citou índices de resolução de feminicídios e queda nos ataques contra instituições financeiras.
Segundo João, existe uma diferença entre os indicadores objetivos de criminalidade e a chamada “sensação de segurança” percebida pela população.
O candidato argumentou que, apesar dos avanços que atribui às políticas estaduais, o enfrentamento ao crime precisa de maior participação financeira e operacional da União.
Água do São Francisco
A segurança hídrica foi outro tema central da sabatina.
João Azevêdo, que antes de assumir o Governo da Paraíba também comandou a área estadual de recursos hídricos, afirmou que a chegada das águas da Transposição do Rio São Francisco mudou as possibilidades de planejamento do abastecimento no estado.
Segundo ele, durante décadas a Paraíba dependia principalmente da água acumulada nos reservatórios durante os períodos de chuva.
Com a chegada das águas do São Francisco a Monteiro, no Cariri, o estado passou a contar com uma fonte adicional para estruturar sistemas de distribuição.
“Para poder distribuir água, você tem que ter água”, afirmou.
João destacou as grandes adutoras construídas ou em implantação para levar água a municípios do interior e disse que a estratégia é utilizar a Transposição como fonte permanente para reduzir a vulnerabilidade das cidades às estiagens.
Produção agrícola
O candidato também defendeu que o debate sobre as águas do São Francisco avance para uma segunda etapa.
Segundo João, o projeto da Transposição foi concebido prioritariamente para garantir segurança hídrica às populações urbanas, mas a regularização do abastecimento abre espaço para ampliar o uso produtivo de outros reservatórios e fontes.
João citou o Canal Acauã-Araçagi como exemplo.
Para ele, a disponibilidade permanente de água pode permitir a expansão da agricultura irrigada e oferecer maior previsibilidade aos produtores.
“Você pode programar o que produzir, em que período produzir, com água garantida”, afirmou.
O candidato disse que pretende levar ao Senado discussões sobre regras, investimentos e infraestrutura necessários para ampliar o aproveitamento econômico das águas.
João promete segurança hídrica em todo o estado
Durante a entrevista, João Azevêdo fez ainda uma previsão sobre a conclusão dos sistemas estruturantes em implantação.
“Daqui a dois anos nós teremos segurança hídrica em todo o estado da Paraíba”, declarou.
O candidato citou sistemas adutores que utilizam as águas provenientes da Transposição para abastecer municípios do Cariri, Curimataú e outras regiões.
A declaração representa uma projeção feita pelo candidato e depende da execução e conclusão das obras hídricas previstas.
Ex-governador usa entregas como principal argumento da campanha
Questionado por Josival Pereira sobre como avalia a campanha até agora, João afirmou que a estratégia eleitoral tem ocorrido conforme o planejamento.
O candidato disse que tem percorrido diferentes regiões e utilizado principalmente as ações executadas durante os oito anos de governo como argumento para pedir votos.
“Não há um único município que eu passe que não tenha uma ação de governo”, afirmou.
João citou programas estaduais nas áreas de saúde, infraestrutura, assistência e geração de empregos, além das obras realizadas nos municípios.
Segundo ele, essa capilaridade das ações estaduais permite que a campanha seja baseada em resultados que podem ser identificados diretamente pelos eleitores.
João comenta relação com Nabor
A relação entre João Azevêdo e Nabor Wanderley (Republicanos), que também disputa uma vaga no Senado dentro da chapa governista, entrou na entrevista.
Josival Pereira lembrou que, no início da campanha, houve disputas pelos apoios de prefeitos entre os dois candidatos.
João reconheceu que houve divergências na estratégia inicial.
Segundo ele, a situação foi discutida internamente e posteriormente ajustada.
“Tudo aquilo que me incomoda eu coloco na mesa rapidamente, para poder sanar imediatamente. E foi o que nós fizemos”, afirmou.
João disse que os dois passaram a realizar uma campanha conjunta e classificou como tranquila a atual relação dentro da chapa.
Léo Bezerra
Outro assunto político abordado foi o afastamento entre João e o prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra.
Léo, antigo aliado de João, deixou o PSB e decidiu apoiar Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Nabor Wanderley (Republicanos) para as duas vagas ao Senado.
Questionado se considerava que o prefeito havia faltado com ele politicamente, João evitou fazer uma cobrança pública.
“A decisão dele é pessoal. Como eu sempre digo, respeito as decisões pessoais. Não me cabe tentar explicar o motivo pelo qual ele fez as suas escolhas. Quem tem que explicar é ele”, respondeu.
João disse ainda que não considera favores ou apoios oferecidos no passado como uma dívida política.
“Tudo que eu fiz numa ação política ou fiz por alguém, eu fiz porque eu quis. E eu não me considero no direito de cobrar reciprocidade de quem quer que seja”, declarou.
Segundo o candidato, a escolha eleitoral de Léo “não altera absolutamente nada” em sua posição pessoal.
Reta final
A entrevista de João Azevêdo encerrou a semana de sabatinas da Nova Brasil FM 102,5 com candidatos ao Senado pela Paraíba.
Na reta final, João afirmou que pretende manter o ritmo de viagens pelo estado e concentrar a campanha na apresentação das realizações de seus oito anos à frente do Governo da Paraíba e nas propostas que pretende defender no Senado.
Entre os principais temas apresentados nesta sexta-feira estão a integração nacional da segurança pública, financiamento federal para o setor, combate ao crime organizado, segurança hídrica e utilização das águas do São Francisco como instrumento de desenvolvimento econômico.


