Os golpes de Lula que a campanha de Bolsonaro mais sentiu

Jair Bolsonaro e Lula. Foto: Reprodução

Por Rafael Moraes Moura

Os dois golpes mais fortes sentidos pela campanha de Jair Bolsonaro nesta campanha até aqui foram dados pelo PT, no horário eleitoral na televisão. São os vídeos que retratam a atitude do presidente da República no enfrentamento da pandemia e que o acusam de despreparo.

O impacto negativo foi medido pelos próprios membros da equipe do presidente da República, a partir da análise de pesquisas qualitativas internas que captaram os ânimos do eleitorado.

Em agosto, uma inserção lulista mostrou uma colagem de falas de Bolsonaro sobre a pandemia, tendo ao fundo o barulho de um ventilador mecânico conectado a um paciente em um hospital. “Está sendo superdimensionado o poder destruidor desse vírus”, “Uma gripezinha ou resfriadinho, “Eu não sou coveiro” foram algumas delas – além da célebre imitação de um paciente com covid.

Já a questão do despreparo apareceu em diversos vídeos da campanha petista, como o que vem sendo exibido desde terça-feira (20), em que a atriz e cantora Thalma de Freitas apresenta a “verdade” sobre Bolsonaro.

Na inserção, Bolsonaro é chamado de “mau militar”, “deputado omisso” que só aprovou dois projetos, defensor da tortura, pregador de ódio – e incompetente. “O Brasil não merece um presidente assim”, finaliza a peça publicitária.

O incômodo na campanha de Bolsonaro foi tão grande que fez o time jurídico acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar retirar imediatamente o vídeo do ar.

“As frases são encadeadas de forma ardilosa, de modo a tentar extrair verdadeira confissão, falsa e mentirosa, de inabilidades ou atributos negativos do candidato”, alega a defesa do presidente.

“A propaganda não enaltece, de nenhuma forma, a imagem de Lula, tampouco apresenta propostas de governo. Ao contrário, a peça ostenta unicamente caráter absolutamente deletério e ofensivo à honra de Jair Bolsonaro, evidenciando exclusivo conteúdo negativo e ofensivo do vídeo”, acrescenta.

A relatora do caso é a ministra Cármen Lúcia, que tem defendido uma atuação minimalista do TSE nas questões de propaganda. Ela ainda não decidiu sobre o pedido.

O PT decidiu apostar nos dois temas após constatar, em suas próprias pesquisas internas, que esses eram os que tinham maior repercussão entre os eleitores indecisos e aqueles inclinados a votar em branco ou nulo.

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