Quem é Keiko Fujimori, presidente eleita do Peru

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A nova presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, assumirá a liderança da Casa de Pizarro, a sede do Executivo do país, após três derrotas eleitorais consecutivas.

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1938-2024), a líder da direita peruana é uma figura inevitável da vida política do país andino há mais de 20 anos, e a herdeira de um sobrenome que continua dividindo profundamente o país andino.

Keiko Fujimori em 19 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stifs Paucca/File Photo
Keiko Fujimori em 19 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stifs Paucca/File Photo

Candidata derrotada em três eleições presidenciais (2011, 2016 e 2021), Keiko parecia condenada a permanecer como a eterna segunda colocada. Sua vitória anunciada coroa mais de 15 anos de tentativas de chegar ao principal cargo do país.

Segundo a apuração do Júri Nacional de Eleições (JNE) do país, ela venceu Roberto Sánchez por uma margem estreita: 50,135% a 49,865%.

Aos 51 anos, Keiko Fujimori está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, ela foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano.

A candidata também passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha. O caso foi arquivado no ano passado. Entre 2018 e 2020, ela foi mantida duas vezes em prisão preventiva e passou quase um ano e meio na cadeia.

Keiko tem se apresentado como a candidata mais capaz de restaurar a ordem e a estabilidade no Peru. Na campanha, ela explorouo contexto de violência vivido pelo país, marcado pelo aumento dos homicídios e das extorsões.

A preocupação dos eleitores com a segurança criou uma espécie de nostalgia do estilo de governo de Alberto Fujimori.

  • Na década de 1990, ele derrotou guerrilheiros do grupo Sendero Luminoso com apoio das Forças Armadas.
  • Nessa onda, Keiko promete medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência.
  • Ela afirma que travará uma “guerra frontal” contra o crime.

O discurso mais duro e o alinhamento a algumas ideias do pai foram vistos como o surgimento de uma “nova Keiko”. Ainda assim, o partido faz questão de diferenciá-la de Fujimori, apresentando-a como uma candidata mais democrática.

A nova estratégia ajudou Keiko a reduzir os altos índices de rejeição que marcaram as campanhas anteriores. Segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores afirmaram antes do segundo turno que não votariam nela de jeito nenhum. O índice é menor que o registrado no primeiro turno, quando chegou a 59%.

Uma de suas primeiras tarefas será consolidar uma base sólida no.Legislativo. O Força Popular, de Keiko, somou 22 senadores e 45 deputados. Levando em conta outros partidos, as forças da direita somam 30 cadeiras no Senado e 63 na Câmara dos Deputados.

Posicionamento de marca

Em um Peru que muda de liderança frequentemente, com oito presidentes desde 2016, Fujimori é talvez a mais consolidada da política do país. Seu sobrenome ressoa em todos os cantos do país andino.

“É uma ‘marca’ que está bem posicionada, gostem ou não”, diz o cientista político Jorge Aragón.

Keiko cresceu nos corredores do poder e foi figura presente no governo de seu pai aos 19 anos. Ao lado dele, conviveu com chefes de Estado e líderes internacionais.

Figura central da política peruana, Alberto Fujimori governou o país em tempos convolutos. Derrotou os guerrilheiros do grupo maoísta Sendero Luminoso e os guevaristas do MRTA, controlou a hiperinflação, mas também foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos, como a laqueadura forçada de mulheres indígenas.

Por décadas, Keiko não conseguiu se desvencilhar das luzes e sombras de seu sobrenome, que lhe garante contatos e um eleitorado sólido.

“Sinto falta dele”, disse em uma entrevista à AFP na véspera da eleição. “Mas aonde quer que eu vá, me lembram e me contam histórias”, comentou.

“Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos antifujimoristas”, que “se dedicaram a insultar, a gerar ódio e divisão entre os peruanos”, afirmou a então candidata.

Seus críticos lhe atribuem grande parte da instabilidade política do Peru, diante da forte influência de seu partido Força Popular – conhecido por tecer alianças políticas no Congresso.

Esta foi a primeira eleição sem o seu pai, morto em 2024, mas que passou a ser visto como símbolo de combate ao crime.

A filha do ex-presidente prometeu mobilizar militares para uma “guerra” contra os grupos dedicados à extorsão e expulsar migrantes que cometem crimes. “Vou assumir a liderança para combater os criminosos”, afirmou recentemente.

‘Filha abençoada’

Em seu círculo próximo, ela é descrita como “perseverante, determinada e disciplinada”.

“Cada golpe que recebeu na vida não a quebrou; deixou-a ainda mais forte do que qualquer um poderia imaginar”, disse à AFP Miguel Torres, que será seu vice-presidente.

Ela também passou mais de um ano em prisão preventiva, investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da Odebrecht, no âmbito da operação Lava-Jato.

Vista como uma política beligerante, Keiko tem buscaso suavizar sua imagem e se apresentar de forma mais conciliadora. “Em minha carreira política, eu também cometi erros, aprendi com eles; mas também me levantei com muito mais força”, disse.

Keiko é mãe de duas jovens, uma de 18 e outra de 16 anos, frutos de seu casamento com um homem americano do qual se divorciou. Seu nome em japonês significa “filha abençoada” ou “afortunada”. Ela é conhecida popularmente como “a chinesa”, apelido que recebeu na escola por seus olhos puxados.

Com informações da agência AFP.

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