Secretário de João Pessoa pede exoneração após operação da PF que investiga apoio eleitoral de facção, diz defesa
Por g1 PB

O secretário-chefe do Procon de João Pessoa, Júnior Pires, pediu exoneração do cargo após ser a Polícia Federal deflagrar a Operação Zona de Influência, que investiga uma suposta negociação de apoio eleitoral com uma facção criminosa na Paraíba. A informação foi divulgada pela defesa nesta terça-feira (29). A exoneração, porém, ainda não foi publicada oficialmente.
A Justiça Eleitoral decidiu que Júnior Pires fosse afastado cautelarmente das funções por 90 dias. Depois da determinação judicial, a defesa dele afirmou que o servidor pediu exoneração do cargo foi feito para que possa se dedicar exclusivamente à própria defesa e ao esclarecimento dos fatos.
A defesa de Júnior Pires negou ainda qualquer envolvimento dele com organizações criminosas ou participação em eventual negociação de apoio político com facções. Segundo os advogados, ele está à disposição do Poder Judiciário e das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações. Os advogados também ressaltaram que o afastamento é uma medida de natureza processual e que, por si só, não representa uma conclusão sobre responsabilidade ou culpabilidade.
Em nota, a Prefeitura de João Pessoa informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a decisão judicial que determinou o afastamento cautelar de um servidor. O Município disse que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Deputado estadual também é alvo da operação
O deputado estadual Caio Roberto (MDB) também é um dos alvos da Operação Zona de Influência. A informação foi confirmada pelo Núcleo de Política da Rede Paraíba de Comunicação.
Caio Roberto, de 41 anos, é natural de Campina Grande e exerce o mandato de deputado estadual. Ele foi eleito pela primeira vez em 2010 e reeleito em 2014, 2018 e 2022. Em 2026, disputa novamente uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba.
Em nota, Caio Roberto afirmou que realiza a campanha de acordo com as regras eleitorais e negou ter praticado ilícito eleitoral. Ele também disse que atendeu à diligência da Polícia Federal e que, segundo ele, não foram encontrados dinheiro ou outros elementos que indicassem crime eleitoral ou vínculo com organizações criminosas.
Operação Zona de Influência

A Polícia Federal deflagrou a Operação Zona de Influência na terça-feira (29) para investigar uma suposta negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma facção criminosa com atuação em comunidades da Paraíba.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Durante a operação, R$ 220 mil foram apreendidos.
Segundo a investigação, integrantes da facção teriam usado o controle territorial de comunidades para negociar apoio político e autorizar a entrada de candidatos nesses locais durante campanhas eleitorais.
Em troca, são investigados possíveis pagamentos a uma liderança do grupo, o custeio de despesas de um centro comunitário e negociações envolvendo cargos ou empregos na administração pública, entre outros benefícios.
A investigação apura possíveis crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado. As diligências têm como objetivo aprofundar a apuração e individualizar a conduta das pessoas investigadas.


