Sem conseguir impulsionar no Insta, PT acusa Meta de interferir na eleição
O presidente Lula — Foto: REUTERS/Adriano Machado
por Tatiana Farah, no UOL, e Estadão
Depois de ser impedida de impulsionar conteúdos, a campanha do presidente Lula anunciou neste sábado que vai ingressar na Justiça Eleitoral contra a Meta, dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp. A acusação é de interferência nas eleições, uma vez que, desde dezembro passado, as redes sociais ligadas ao petista têm sofrido uma série de alegados problemas técnicos.
O mais recente ocorreu na sexta-feira (9) e se estendeu até a manhã deste sábado (10), quando, de acordo com os petistas, o perfil do presidente Lula foi impedido pela Meta de impulsionar conteúdos do feed no Instagram.
“Isso significa que, durante todo esse período, a campanha não pôde utilizar essa modalidade de impulsionamento, que faz parte da estratégia digital de qualquer campanha política. A empresa alega que essa ‘falha’ afetou outros anunciantes e mercados, mas não trouxe qualquer evidência disso, muito menos de que esse problema tenha afetado também outros candidatos no Brasil”, afirma nota divulgada à imprensa pelo secretário de comunicação do PT, Éden Valadares.
De acordo com a nota partidária, “é importante que todas as medidas cabíveis sejam adotadas para que problemas alegados como técnicos não se transformem em questões de natureza política que ameacem a democracia”.
Em nota ao UOL, a Meta negou a intenção de interferir no pleito. “As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos.”
Novo coordenador da campanha de Lula, o ex-ministro Camilo Santana afirmou que o partido optou por denunciar a Meta porque “isso causa um desequilíbrio numa eleição tão apertada, praticamente num empate técnico”. Ele reforçou que, além da Justiça Eleitoral, recorrerá à Agência Nacional de Proteção de Dados.
“Sabe-se que isso é uma motivação que a campanha de Flávio Bolsonaro tenta fazer para que a gente não possa dizer ao povo brasileiro que o candidato Flávio Bolsonaro é a favor da manutenção da escala 6×1, é a favor do tesouraço que vai cortar exatamente os programas sociais como Farmácia Popular e o orçamento das universidades federais”, disse ele, além de citar o apoio do adversário à manutenção das bets.
Outros temas
O petista chamou de “farsa” a reportagem da revista Veja com um áudio atribuído a Daniel Vorcaro, afirmando que teria dado dinheiro para o documentário sobre Lula dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone. À Folha de S. Paulo, o cineasta negou o financiamento. A AGU ingressou com pedido de direito de resposta e a PF e a PGR afirmaram que esse áudio não está no processo e que esse tópico nunca foi tratado nos pedidos de delação premiada feitos pelo banqueiro preso.
Segundo Camilo, que tem de se explicar é Flávio Bolsonaro, por ter uma “relação íntima” com o dono do Banco Master.
“Saiu mais uma ligação de Flávio com o escândalo do INSS. A relação dele com o advogado Willer Tomaz advogado que está sendo investigado na Operação Sem Desconto, que tirou dinheiro dos aposentados, com uma conta conjunta com ele”, disse o petista.


