Flávio acusa Caiado de ajudar Lula, depois de Kassab ter dito que ele tem ‘chance zero’ nas eleições
por Folhapress

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tentou jogar a chapa de Ronaldo Caiado (PSD) à esquerda na disputa eleitoral, depois que o candidato a vice do PSD, Gilberto Kassab, disse que o senador tem “chance zero” de vencer as eleições.
Na quinta-feira (13), Kassab afirmou, em evento com empresários, que o centrão está com o presidente Lula (PT) e que o filho de Jair Bolsonaro não venceria a disputa.
Questionado pela Folha nesta segunda-feira (17), durante evento do Grupo Voto, em São Paulo, sobre o que achava da estratégia de campanha de Flávio de colocar Caiado à esquerda, Kassab sorriu e afirmou “a campanha do Flávio está preocupada com o Caiado. Eles não estão preocupados com o Zema nem com o Renan. É jogo político, jogo da campanha. Mostra que eles estão preocupados com o Caiado. E, efetivamente, realmente, o Caiado é um candidato que vai crescer, muito bem preparado. Não tem nada para esconder e muito para mostrar”.
O presidente do PSD afirmou que a frase sobre o apoio do centrão quis ressaltar a perda de tempo de televisão por Flávio. “Se ele perdeu tempo de televisão, esse tempo veio para o Caiado em uma boa parte, então foi bom para o Caiado”.
Ele disse que o PSD lançou o goiano por acreditar que ele é o melhor e vai ganhar. “O que eu disse é que o PSD lançou candidato porque acha que é a melhor alternativa para o Brasil para evitar o PT ou o PL, o Bolsonaro ou o Lula”.
O candidato a vice também foi questionado sobre porque acha que o centrão se afastou de Flávio. “Pergunta para eles. Cada partido sabe o que quer, as suas decisões. Eu falo pelo PSD”.
A declaração se deu durante o debate “Ciclo Brasil de Ideias – Especial Eleições”, do Grupo Voto, em São Paulo.
Na semana anterior, a fala de Kassab repercutiu e gerou reação do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha do candidato à Presidência pelo PL. Nas redes sociais, Marinho chamou o PSD de Kassab de “linha auxiliar para tentar de qualquer forma eleger Lula”. “Está cada vez mais claro que a candidatura apresentada [de Caiado] não é para valer e que o sistema se uniu por se sentir ameaçado.”
Já Flávio criticou “outros candidatos a presidente que se dizem de direita” nas redes. O presidenciável afirmou sempre ter tido “muito claro que seriam TODOS contra o PT” e que sua “disputa é para resgatar o Brasil do cativeiro, e não pelo poder”.
Até então, Flávio evitava embates diretos com Caiado, que, desde julho, tem feito críticas mais ácidas ao adversário. A expectativa do senador era não acirrar os ânimos com candidatos que podem apoiá-lo no segundo turno.
Ronaldo Caiado rebateu dizendo não ser verdade “o que estão dizendo por aí”. “A minha candidatura é independente e não apoia ninguém. Desde o início da minha vida pública eu atuo contra a esquerda.”
O tema foi abordado pelo ex-governador em seu primeiro ato de campanha, no domingo (16), em Goiás. O político chamou o posicionamento de Flávio de “momento de desespero”.
“Realmente eles estão desesperados. Não conseguem. Todo dia é um problema. Todo dia é uma explicação. É uma surpresinha todo dia”, afirmou, em referência a escândalos e polêmicas associadas ao presidenciável do PL, como o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
“Esse pessoal [da campanha do Flávio Bolsonaro] está apavorado. Podem ficar tranquilos que o único político com mandato no Brasil, que é oposição ao Lula e que nunca votou no Lula, chama-se Ronaldo Caiado”, afirmou.
Caiado disse também que Kassab falou “o que todo mundo já sabia”. Questionado sobre ao lado de quem ficaria em um segundo turno entre Lula e Flávio, o candidato afirmou ser ele próprio quem disputará a segunda rodada do pleito com o petista.
No início do ano, Caiado tentava se diferenciar de Flávio ressaltando a falta de experiência do senador no Executivo, mas evitava temas polêmicos, como a acusação de “rachadinha”.


