O que significa o anúncio feito por Putin para o Brasil?

O presidente russo, Vladimir Putin, em 27 de abril de 2022 — Foto: Alexei Danichev/ via Reuters

Por Deborah Hana Cardoso

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou na quarta-feira (21/9) a convocação de quase 300 mil reservistas para lutar na guerra da Ucrânia. A ordem foi acompanhada de ameaças nucleares e acendeu um alerta sobre quanto tempo o conflito vai durar e como ficam os países emergentes, como o Brasil.

O portal ouviu especialistas sobre o assunto. O economista-chefe da agência classificadora de riscos Austin-raiting, Alex Augustin, por exemplo, afirmou que a manutenção do conflito respinga em economias emergentes. No caso do Brasil, as questões internas, como risco fiscal e falta de reformas estruturantes, serão somadas ao saldo do conflito.

O mercado já espera nova alta do dólar e dos preços do barril de petróleo.

“A situação não será desfavorável porque Putin tomou uma nova decisão para tentar vencer a guerra. Será somada aos nossos problemas não resolvidos”, completou.

Agustin ainda teceu críticas à “celebração” do Banco Central em antecipar o aumento da taxa de juros básica do país. A política de aumento ocorre desde março deste ano. Para o economista, a decisão do BC tem a ver com a indexação e estrutura de preços do Brasil, no qual 27% do IPCA é referente a preços monitorados pelo governo.

Pedro Costa Júnior, professor de relações internacionais e pesquisador da USP, observou que a guerra fará a Europa ter mais privações e alta dos preços, o que também trará consequências ao Brasil. “A Europa precisa do gás russo para sobreviver. Os países do bloco sofrem privações de energia, por um lado, alta dos preços e inflação”, explicou

“Putin vai aproveitar a chegada do inverno. A estação proporcionou as duas maiores vitórias bélicas do Exército russo, a primeira contra Napoleão e depois contra Adolf Hitler”, acredita Costa Júnior.

Ao site o professor de relações internacionais da PUC/SP Rodrigo Amaral afirmou que o movimento russo é uma reação contra as derrotas no nordeste ucraniano e tentativa de tomada do sul. Neste último, Moscou quer fechar a entrada ao Mar Negro por onde o govero da Ucrânia recebe armamentos. “Se perder a guerra, ele perde o apoio de uma elite importante no país”, disse.

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