Trump diz que vai respeitar resultados de eleições dos EUA ‘se forem honestos’
por Folhapress

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (27) que irá respeitar os resultados das eleições legislativas de meio de mandato “se eles forem honestos”. A declaração foi dada a jornalistas antes de o republicano voar para o Texas.
O americano reforçou ainda que, se o Partido Republicano perder o controle do Congresso, vai trabalhar com os adversários, mas alertou que tem “forte” poder de veto.
A declaração de Trump se soma aos ataques que ele tem feito às eleições americanas ao menos desde que subiu ao poder pela primeira vez, em 2016, quando afirmou sem provas que teria vencido Hillary Clinton também no voto popular —ele venceu apenas no Colégio Eleitoral, que determina o vencedor a partir do número de delegados em cada estado.
Desde então, e principalmente quando perdeu a disputa para Joe Biden em 2020, Trump tem colocado em dúvida a lisura do processo eleitoral.
Na segunda-feira (26), o presidente ofereceu uma recompensa de US$ 1 milhão (R$ 5,4 milhões) para quem denunciar fraude em eleições passadas e na da próxima semana. De acordo com o republicano, o dinheiro só será pago se o denunciado sofrer uma condenação na Justiça por fraude eleitoral —algo extremamente raro nos EUA.
Em setembro, o presidente disse que, caso o Partido Republicano mantenha o controle do Legislativo, enviaria um cheque no valor de US$ 5.000 (R$ 26 mil) para cada americano adulto no país.
Ao voltar à Casa Branca, Trump passou a aplicar uma sistemática tentativa de influenciar as eleições. Ele tentou, por exemplo, aprovar legislação que obriga eleitores registrados a apresentar documentos na urna para comprovar a cidadania americana, algo criticado por especialistas, que alertam para o fato de que milhões de americanos não têm acesso a provas do tipo em um país sem um documento unificado federal como o RG ou CPF brasileiros.
Além disso, o governo Trump tem usado agências federais para checar dados de cidadania de eleitores, algo autorizado pela Suprema Corte apesar de críticas e processos de opositores da medida. A gestão republicana afirma que imigrantes têm votado em peso nos pleitos, sem qualquer evidência de que ocorra em larga escala e favorecendo algum dos lados da disputa.
O esforço republicano não tem se limitado às pressões do processo eleitoral em si. Aliados do presidente iniciaram, no ano passado, uma corrida para redesenhar os mapas de distritos eleitorais nos estados com o objetivo de aumentar as chances de republicanos serem eleitos para o Congresso.
Nos EUA, um deputado é eleito para representar um distrito eleitoral em seu estado, não o estado inteiro como ocorre no Brasil. Esses distritos são, tradicionalmente, reformulados a cada dez anos a partir de novos dados censitários, mas também é comum que redesenhos sejam aprovados antes disso com o intuito de manipular maiorias populacionais locais e aumentar as chances de um partido sobre o outro —medida conhecida como “gerrymandering”.
A primeira atuação de Trump nesse sentido foi no Texas, estado de maioria legislativa republicana, governado também pelo partido, que aprovou um novo mapa eleitoral em que os republicanos devem eleger cinco deputados a mais do que no mapa anterior.
Em resposta, a Califórnia, de maioria legislativa e governada por democratas, respondeu na mesma moeda, e deve terminar por eleger cinco democratas a mais no estado. Outras unidades da federação fizeram o mesmo, e a expectativa é que os republicanos tenham vantagem de nove deputados a mais. A estimativa é apenas uma expectativa com base no perfil eleitoral dos votantes.
Com AFP


