Idosa faz sucesso no TikTok ao dar conselhos sem filtro no perfil Café com Marlboro Mãe
por Folhapress

Nem todo mundo procura um amigo quando precisa de um conselho. Às vezes, basta abrir o TikTok, escrever um desabafo e esperar a resposta de uma senhora de 66 anos que não tem o menor problema em dizer aquilo que ninguém quer ouvir.
Entre um gole de café e um cigarro, Marlene Bruno conquistou milhares de pessoas justamente por fazer o oposto do que domina as redes sociais: falar sem rodeios, sem querer agradar.
Foi assim que nasceu o fenômeno do perfil Café com Malboro Mãe, em que Marlene responde a perguntas sobre relacionamentos, autoestima e conflitos do cotidiano com uma mistura de humor ácido e sinceridade. “Falou, levou. Eu não tenho paciência e nem meço as palavras”, resume em entrevista ao F5.
Uma das respostas que viralizaram começou após um seguidor reclamar que havia pago pizza e refrigerante para uma mulher e, mesmo assim, não conseguiu conquistá-la. A reação de Marlene foi imediata.
“Menos, né? Dá uma segurada na emoção. Você acha mesmo que uma mulher interesseira vai querer pizza? Se põe no seu lugar.”
O vídeo correu as redes e ajudou a consolidar o estilo da criadora de conteúdo, que hoje soma mais de 250 mil seguidores no Instagram e milhares de fãs também no TikTok, onde alguns vídeos ultrapassam a marca de um milhão de visualizações.
Apesar da repercussão, Marlene garante que jamais imaginou viver essa realidade.
Quem enxergou potencial nos comentários afiados da mãe foi Helena Isabela, de 29 anos. A filha costumava publicar vídeos dos “esculachos” de Marlene em suas próprias redes sociais até perceber que os seguidores queriam ver mais daquele conteúdo.
“A ideia veio da minha filha. Ela sempre me postava no Instagram dela e, de tanto pedirem, fez um perfil para mim. Deu no que deu”, conta Marlene.
Helena lembra que bastaram poucos vídeos para perceber que o humor espontâneo da mãe funcionava muito além da família.
“De início eu criei e fiquei acompanhando. Logo em seguida, postei alguns vídeos cotidianos que viralizaram. Agora ela ultrapassou meus números de seguidores e está conquistando todo mundo”, diz.
O nome do perfil também nasceu dentro de casa. Segundo Marlene, foi a filha quem percebeu que duas coisas estavam presentes em praticamente todos os dias da mãe: o café e o cigarro.
“Eu fazia o café com Deus Pai todos os dias com ela. Eu fumo Marlboro e consumimos muito café. O nome acabou pegando.”
O cigarro, aliás, acompanha Marlene desde muito antes da fama. Ela conta que fuma desde os 12 anos e nunca conseguiu abandonar o hábito. “Fumo, em média, meio maço por dia. Nunca tentei parar.”
A personalidade direta também não mudou com a popularidade. Marlene afirma que praticamente não existe assunto proibido em seus vídeos. A única exceção é política. “Não gosto e não falo sobre isso.”
Embora o perfil seja apresentado como “monitorado pela filha”, isso acontece muito mais para preservar a mãe dos excessos da internet do que para controlar o conteúdo.
“Ela nunca me impediu de nada. Dá a ideia do conteúdo e eu reproduzo. Ela monitora os haters para que essa energia pesada não chegue até mim”, explica.
Segundo Helena, o maior trabalho costuma ser apagar comentários feitos pela própria mãe em perfis de outras pessoas. “Os comentários que faço nos posts alheios, que são pejorativos, ela dá um jeito rápido de apagar”, brinca Marlene.
Antes da fama nas redes, porém, sua história foi bem diferente. Ela saiu de casa aos 15 anos e acabou vivendo durante anos no centro de São Paulo. Passou pela Cracolândia, se envolveu com drogas e passou cerca de duas décadas entrando e saindo de prisões.
A mudança aconteceu quando a filha nasceu. Marlene lembra que recebeu dos médicos a notícia de que a bebê talvez não sobrevivesse. Foi naquele momento que decidiu abandonar a vida antiga.
“No dia em que ela nasceu, eu vi ela magrinha, e o médico falou para mim que não sabia se sobreviveria, ali eu fiz um pacto com Deus. Se a minha filha sobrevivesse, eu nunca mais usaria droga.”
Hoje, a rotina é completamente diferente. “Sou bem tranquila agora na velhice. Minha filha trabalha e eu cuido dos afazeres da casa e do meu neto de 11 anos.” Ela conta que nunca se casou, sempre foi mãe solo e prefere uma vida mais reservada.
Apesar da repercussão nas redes, Marlene ainda não vive da produção de conteúdo. “Minha filha me dá o que preciso e, quando tenho tempo, faço freelances de faxina.”
A monetização ainda está começando. “Ainda não estou ganhando dinheiro. Estou recebendo presentes .”
Segundo ela, praticamente todos os dias aparecem convites para anunciar bets e jogos de azar, mas a resposta é sempre a mesma. “Recebo diariamente proposta para divulgar tigrinho e casas de apostas. Jamais toparia. Gostaria de fechar parcerias e publicidades com grandes marcas e ter uma fonte de renda.”
Para Marlene, a internet virou uma extensão das conversas que sempre teve dentro de casa. “Tem gente que precisa acordar para a vida”. E, pelo número crescente de seguidores, parece que cada vez mais pessoas estão dispostas a ouvir esse puxão de orelha.


