Rússia condena opositor de Putin a 11 anos de prisão por criticar guerra na Ucrânia

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Por Redação g1

Lev Shlosberg, ao centro, integrante da cúpula do partido Yabloko, é conduzido para fora do tribunal após ser condenado por um juiz a mais de 11 anos de prisão, em um tribunal na cidade de Pskov, na Rússia. — Foto: Associated Press
Lev Shlosberg, ao centro, integrante da cúpula do partido Yabloko, é conduzido para fora do tribunal após ser condenado por um juiz a mais de 11 anos de prisão, em um tribunal na cidade de Pskov, na Rússia. — Foto: Associated Press

Um tribunal da Rússia condenou nesta segunda-feira (17) o político opositor Lev Shlosberg a 11 anos e um mês de prisão por se manifestar contra a guerra na Ucrânia.

A decisão ocorre às vésperas das eleições parlamentares do país, marcadas para setembro, e faz parte da crescente repressão a críticas ao governo do presidente Vladimir Putin.

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Shlosberg é um dos principais integrantes do partido Yabloko, a única legenda registrada na Rússia que se posiciona abertamente contra a guerra na Ucrânia.

Segundo autoridades russas, a condenação está relacionada às declarações públicas feitas pelo político sobre o conflito.

A sentença é mais um capítulo da campanha do Kremlin para silenciar vozes dissidentes desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Partido também fica fora das eleições

Em outra decisão anunciada nesta segunda-feira, a Suprema Corte da Rússia manteve a exclusão do partido Yabloko das eleições parlamentares que serão realizadas entre 18 e 20 de setembro.

A legenda havia recorrido da decisão, mas o pedido foi rejeitado.

As medidas contra Shlosberg e o Yabloko reforçam a postura do governo russo de não tolerar críticas ao conflito.

Segunda condenação em dois anos

Shlosberg, de 63 anos, é vice-presidente do Yabloko e foi deputado na Assembleia Legislativa da região de Pskov entre 2016 e 2021.

Ele foi julgado na cidade de Pskov, cerca de 600 quilômetros ao noroeste de Moscou, acusado de “desacreditar” as Forças Armadas russas e divulgar supostas informações falsas sobre os militares.

As acusações tiveram origem em um debate no qual defendeu o fim da guerra na Ucrânia e em uma publicação feita em seu canal no Telegram.

Na postagem, ele compartilhou a capa de um jornal britânico que mostrava uma mulher ensanguentada ao lado de uma foto de Putin, com uma manchete que responsabilizava o líder russo pela violência. Shlosberg afirma que as acusações não têm fundamento.

Esta foi a segunda vez que ele foi levado a julgamento nos últimos dois anos. Além disso, o opositor recebeu o status de “agente estrangeiro”, uma classificação usada pelas autoridades russas para pessoas ou organizações que, segundo o governo, recebem influência do exterior.

A designação impõe restrições adicionais e aumenta a fiscalização do Estado.

Shlosberg também foi condenado por supostamente descumprir as regras aplicadas a outros pessoas acusadas de terem sido cooptados por potências exteriores. Em dezembro de 2025, ele foi colocado em prisão preventiva pelas novas acusações e permanece detido desde então.

Nos últimos anos, outros integrantes do Yabloko também foram presos ou receberam a mesma classificação, em meio ao aumento da pressão do Kremlin sobre o partido.

Partido chama sentença de “bárbara”

Na declaração final apresentada ao tribunal na sexta-feira (14), Shlosberg afirmou que, ao longo dos últimos 30 anos, a Rússia percorreu “um caminho que foi da esperança de liberdade à quase completa destruição dos direitos e das liberdades civis”.

O político também disse que a guerra na Ucrânia mudou a vida de todos os cidadãos russos.

Segundo ele, quando o número real de mortos no conflito se tornar conhecido, “todo o país ficará chocado”.

Em nota, o Yabloko classificou a condenação como uma “sentença bárbara” e afirmou que Shlosberg foi punido por defender a paz e pedir um cessar-fogo. O partido informou que vai recorrer da decisão.

A organização Anistia Internacional também criticou a condenação. Marie Struthers, diretora da entidade para Europa Oriental e Ásia Central, afirmou que o processo e a sentença representam uma represália pelo fato de Shlosberg ter defendido publicamente a paz.

Ela pediu a libertação imediata do opositor e a anulação da condenação. A entidade também cobrou o fim das leis que criminalizam manifestações pacíficas contra a guerra e da perseguição a integrantes e apoiadores do Yabloko.

Lev Shlosberg — Foto: AP
Lev Shlosberg — Foto: AP

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